Por Priscila Horvat*
A cada quatro anos, a Copa do Mundo atrai os olhos de pessoas por todo o planeta. Ela é palco de histórias inesquecíveis já que, ao longo do tempo, a competição consagrou campeões e eternizou momentos que ficaram marcados para sempre na memória dos torcedores. Mas, além das conquistas dentro de campo, alguns jogadores se destacaram por outro motivo: a convivência com o diabetes.
O que eles mostraram em campo não foi uma doença, pelo contrário. Suas performances provaram que viver com diabetes não impede ninguém de alcançar o mais alto nível do esporte. Por isso mesmo é tão importante relembrarmos desses ídolos. Alguns estão aposentados atualmente, outros já batem um bolão no céu, mas todos podem ser lembrados na hora de reforçar a mensagem de que, com acompanhamento e tratamento adequados, é possível viver e realizar grandes sonhos.
Jogadores com diabetes na Copa do Mundo
Nacho Fernández: o primeiro jogador com diabetes tipo 1 a marcar em uma Copa
Um dos exemplos mais emblemáticos é o do espanhol José Ignacio Fernández Iglesias, conhecido mundialmente como Nacho Fernández. O zagueiro recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 aos 12 anos e chegou a ouvir que seus dias no futebol haviam terminado. Felizmente, encontrou profissionais que o orientaram corretamente e seguiu treinando normalmente. Anos depois, construiu uma carreira vitoriosa no Real Madrid, conquistando diversos títulos nacionais e internacionais.
Durante a Copa do Mundo de 2018, disputada na Rússia, Nacho entrou definitivamente para a história ao marcar um dos gols da Espanha no empate por 3 a 3 contra Portugal. Com isso, tornou-se o primeiro jogador com diabetes tipo 1 a marcar um gol em uma edição do Mundial.
Gary Mabbutt: capitão da Inglaterra na Copa de 1990
Outro nome importante é o do inglês Gary Mabbutt. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 17 anos, ele construiu uma das carreiras mais respeitadas do futebol inglês. Atuou por mais de uma década no Tottenham Hotspur, clube do qual se tornou capitão, e também representou a seleção da Inglaterra no Mundial.
Ele integrou o elenco inglês que disputou a Copa do Mundo de 1990, na Itália, competição em que a Inglaterra chegou às semifinais e terminou na quarta colocação.
Washington “Coração Valente”: inspiração para o futebol brasileiro
Embora não tenha disputado uma Copa do Mundo, Washington Stecanela Cerqueira merece lugar de destaque nessa lista. Conhecido como “Coração Valente”, o ex-centroavante foi diagnosticado com diabetes tipo 1 ainda jovem e construiu uma carreira repleta de conquistas no futebol brasileiro.
Atuou por clubes como Athletico Paranaense, Fluminense e São Paulo, tornando-se um dos maiores artilheiros da história do Campeonato Brasileiro. Washington disputou a Copa das Confederações de 2001. Em 2002, aos 26 anos, chegou a fazer parte da Seleção Brasileira durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo.
Leônidas da Silva: o Diamante Negro
Muito antes da tecnologia facilitar o tratamento do diabetes, um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro já vivia com a condição.
Leônidas da Silva, conhecido como “Diamante Negro” no Brasil e como “Homem Borracha” na Europa, graças à sua elasticidade em campo, o atleta foi o grande destaque da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1938. Artilheiro da competição e considerado o melhor jogador daquele Mundial, entrou para a história do futebol como um dos criadores da famosa bicicleta.
Romário: tetracampeão e exemplo de cuidados com a saúde
Outro campeão mundial que já falou publicamente sobre diabetes é Romário. Carinhosamente chamado de “baixinho”, o ex-atacante disputou as Copas do Mundo de 1990 e 1994, sendo um dos protagonistas do tetracampeonato brasileiro nos Estados Unidos. Anos depois de encerrar a carreira profissional, recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 2.
Desde então, também passou a reforçar a importância dos cuidados com a saúde, do acompanhamento médico e da adoção de hábitos saudáveis. Hoje ele atua fora dos gramados, e pode ser visto no plenário em seu segundo mandato como senador pelo Rio de Janeiro, com a defesa de temas que envolvem principalmente esporte e saúde.
Diabetes não impede sonhos
As histórias desses atletas mostram que o diabetes não define o potencial de uma pessoa. Cada um deles enfrentou desafios diferentes, cada um em sua época e com recursos variados para o manejo da condição. Ainda assim, conseguiram alcançar objetivos que pareciam impossíveis para muitos.
Outro atleta de alto rendimento e que vive com diabetes foi ovacionado recentemente é o tenista alemão Alexander Zverev, que conquistou a cobiçada taça de Roland Garros 2026. Além dos famosos, outros atletas com diabetes podem ser acompanhados pelas redes sociais, como Emerson Bisan, que teve sua história contada no livro “100 maratonas”, Ricardo Correia de Araújo, autor do livro “Sabe aquele sonho lá? Desiste não”, Carla Prisco e outros nomes, de dentro e de fora do Brasil.
Eles conquistam o próprio troféu, vencem os desafios que impõem a si mesmos e ainda mostram que, com informação de qualidade, tratamento adequado e apoio, tudo é possível, apesar do diagnóstico. Afinal, o diabetes pode ser apenas uma parte da vida, e não um obstáculo para realizar sonhos.
A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira (11) e termina em 19 de julho.
* Priscila Horvat é jornalista com foco em saúde e integra a equipe da Momento Diabetes.