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Notícias Corredores com diabetes que provaram, em 2025, que o esporte não tem limites

Por Priscila Horvat* Em 2025, corredores com diabetes voltaram a ocupar manchetes, pódios e, principalmente, foram destaques como inspiração no Brasil e no mundo. Em diferentes países, […]

Momento Diabetes | 30/04/2026

Por Priscila Horvat*

Em 2025, corredores com diabetes voltaram a ocupar manchetes, pódios e, principalmente, foram destaques como inspiração no Brasil e no mundo. Em diferentes países, atletas que convivem com o diabetes tipo 1 transformaram desafios do corpo em combustível para grandes feitos dentro do esporte.

Entre recordes mundiais, premiações e lançamento de livro, o ano reforçou uma mensagem já conhecida na “comunidade azul”, isto é, entre as pessoas com diabetes: informação, planejamento e acompanhamento adequado permitem ir muito além do que o diagnóstico sugere.

Corredores com diabetes que se destacaram em 2025:

Nathan Kilcourse. Foto: reprodução @diabetesuk

1 – Nathan Kilcourse

Um dos destaques internacionais foi o britânico Nathan Kilcourse, de 35 anos. Professor de Educação Física em Nottinghamshire, ele quebrou o recorde mundial da maratona mais rápida já corrida por um homem com diabetes tipo 1. Na Maratona de Yorkshire, completou os 42,195 km em 2h28min05s, reduzindo em cerca de dois minutos a marca anterior. Resultado que, inclusive, aguarda validação oficial do Guinness World Records, o livro dos recordes!

Diagnosticado aos 19 anos, na ocasião da maratona, Kilcourse relatou que precisou rever sua estratégia tradicional de prova devido a níveis elevados de glicose antes da largada, que ele atribuiu ao nervosismo. Mesmo assim, cruzou a linha de chegada e ainda arrecadou quase 2 mil libras para a Diabetes UK, a Associação Britânica de Diabéticos, da qual faz parte.

Simone Carniglia. Foto: reprodução @simone.carniglia

2 – Simone Carniglia

O engenheiro italiano Simone Carniglia também marcou 2025 ao entrar para o Guinness World Records como a primeira pessoa com diabetes tipo 1 a completar as sete principais maratonas do mundo (World Marathon Majors) com o menor tempo agregado. A conquista foi confirmada na Maratona de Sydney, na Austrália, garantindo a sétima estrela após participações em Nova York, Boston, Berlim, Londres, Chicago e Tóquio.

Diagnosticado aos 12 anos, ele transformou a corrida em aliada no controle da condição, especialmente após uma fase em que chegou aos 130 quilos e decidiu retomar a saúde por meio do esporte. Após a prova, ele compartilhou os bastidores do controle glicêmico e os desafios reais do alto rendimento com diabetes. Ele ainda confessou que ajustes inadequados antes de uma meia maratona impactaram seu desempenho, reforçando que o manejo exige decisões constantes e aprendizado contínuo.

Marcelo entre o diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Dr. Clayton Luiz Dornelles Macedo e do Dr. Leão Zagury, ex-presidente da SBD. Foto: divulgação/Sbem

3 – Marcelo Tavares

Marcelo Tavares, de 53 anos, é um dos precursores do Running Class no Brasil e convive com o diabetes tipo 1 desde os 14 anos. Usuário de bomba de insulina há 38 anos, Marcelo afirma que a corrida, iniciada ainda na adolescência, nunca foi limitada pela condição.

Ele, que é personal trainer e profissional de Educação Física e ainda atua como treinador de corrida há 28 anos, foi homenageado em 2025 com o Prêmio Atleta SBD, entregue durante o XXV Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). A premiação ocorreu no Simpósio Atividade Física e destacou sua trajetória como exemplo de que o esporte é ferramenta fundamental no controle do diabetes.

Emerson Bisan e as filhas na Bienal do Livro do Rio Janeiro, em junho de 2025. Foto: Ilana Brajterman)

4 – Emerson Bisan

Outro nome consolidado é o educador físico Emerson Bisan. Vivendo com diabetes tipo 1 há três décadas, ele já ultrapassou a marca de 100 maratonas e outra centena de ultramaratonas em diferentes cenários do mundo, da Maratona de Nova York à Ultra do Atacama. Eleito Atleta do Ano pela SBD em 2019, Bisan transformou sua trajetória em ferramenta educativa.

Em 2025, participou da Bienal do Livro do Rio de Janeiro para lançar e autografar “100 Maratonas: mais do que correr, uma missão de vida”, obra lançada pela Momento Saúde Editora em que compartilha experiências, estratégias de controle glicêmico durante provas e reflexões sobre resiliência. Mas não foi só isso. A cada mês, o atleta participou e superou os próprios desafios.

Em janeiro, percorreu o “Caminho da Fé no Fôlego com Gustavo Maia 318km”; em fevereiro, participou da Ultra do Aconcágua 50km; em março, fez os “100km Ultra Caminhos de Caravaggio”. Em abril, Emerson fez parte da “Maratona de SP – 42km”, “Volta à Ilha de Floripa com D&D – 140km” e “UD Beach Bertioga 55km”. Em maio, ele esteve presente na “Tutan 42km”, “Itapety Trail 50km” e “Pedra Grande UltraTrail 35km”. Em junho, correu no “Desafio Rio 21+42Km”, “Roots Racing 60km” e “Vulcano Endurance Challenge 50km”.

O começo do segundo semestre foi marcado pelos 100km da “UAI Ultra dos Anjos” e pela “SP City 42km”. Em agosto, Emerson esteve na “A Muralha Marathon 42km” e na “Maratona de Piracicaba 42km”; em setembro, participou da “Maratona de Salvador 42km”; em novembro, da “Maratona de Curitiba 42km”; e, em dezembro, do “Endurante Challenge 62km”.

Carla Prisco, comemorando sua 42ª maratona ao completar 42 anos. Foto: Letícia Martins

5 – Carla Prisco

Quando a profissional de Educação Física Carla Prisco decidiu que correria 42 maratonas antes de completar 42 anos, o desafio parecia ousado até para atletas experientes. Para alguém com diabetes tipo 1 (DM1) desde a adolescência, a meta ganhou um peso ainda maior. No dia 30 de novembro de 2025, dois dias antes de completar 42 anos, Carla cruzou a linha de chegada da maratona que simbolizava o fim de um ciclo iniciado em 2016.

O feito ocorreu em Atibaia (SP), ao lado de amigos, familiares e corredores que testemunharam mais do que uma meta batida: a realização de um sonho conquistado passo a passo, com disciplina, cuidado e propósito. Afinal, estamos falando de correr 42 maratonas! “Diabetes não limita ninguém. Pelo contrário, ele nos impulsiona a ser alguém melhor todos os dias. Independentemente do tempo que você ache que precisa, não desista nunca. Os sonhos a gente vai realizando, sempre com calma e respeitando cada processo”, afirmou a atleta.

Ricardo Correia de Araujo, um dos corredores com diabetes que mais se destacou no Brasil em 2025. Foto: divulgação/Momento Saúde Editora.

Ricardo Correia de Araujo, um dos corredores com diabetes que mais se destacou no Brasil em 2025. Foto: arquivo do autor.

6 – Ricardo Correia de Araujo

Mas foi em dezembro que o assunto de “corredores com diabetes” ganhou novo capítulo com o lançamento do livro “Sabe Aquele Sonho Lá? Desiste Não!”, de Ricardo Correia de Araujo. Engenheiro eletrônico, o paulista que vive com diabetes tipo 1 há 36 anos percorreu 235 quilômetros na Ultramaratona dos Anjos Internacional (UAI), na Serra da Mantiqueira, considerada uma das provas mais duras do país. Foram 55 horas e 24 minutos enfrentando privação de sono, exaustão extrema, quedas e episódios de alucinação, enquanto monitorava rigorosamente a glicemia.

No livro, Ricardo optou por uma narrativa direta, sem romantização da condição: a verdade como ela é. Em cada página, o leitor acompanha as decisões críticas tomadas pelo atleta em meio ao desgaste físico, a importância de ter uma equipe de apoio e os bastidores que raramente aparecem nas redes sociais. Ao longo de 25 maratonas e 30 ultramaratonas, ele consolidou uma trajetória que dialoga com corredores com diabetes e com o público que convive com a condição e busca referências reais de alta performance e prova que sim, é possível, apesar do diabetes.

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A reunião dessas histórias em um mesmo ano não é coincidência. Elas retratam uma geração de atletas que unem a educação em diabetes com tecnologia, acompanhamento multiprofissional e monitoramento constante.

Se cada prova tem sua linha de chegada, 2025 demonstrou que, para corredores com diabetes, o percurso vai além do tempo no relógio. Ele inclui quebrar preconceito (às vezes consigo mesmo) e inspirar novas pessoas a iniciar alguma prática esportiva com segurança. É dessa forma que o esporte pode deixar de ser reflexo apenas de desempenho e se tornar ferramenta de educação em saúde.


* Priscila Horvat é jornalista com foco em saúde e integra a equipe da Momento Diabetes.

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