Por Priscila Horvat*
Um dos grandes motivos de atraso no diagnóstico do diabetes é o fato de que a hiperglicemia, a glicemia alta, é, muitas vezes, assintomática. Quando ela começa a causar sintomas, significa que a pessoa já está com níveis elevados de glicemia há tempos. Mas, além dos sinais clássicos que acendem o alerta para a dúvida do diabetes, como sede frequente e urina excessiva, outros fatores devem ser levados em consideração.
“Os sinais e sintomas menos associados à hiperglicemia são cansaço e visão turva, além de infecções recorrentes, como candidíase, periodontite e má cicatrização de feridas”, alerta a endocrinologista e metabologista Dra. Patrícia Peixoto, que também é membro da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Conforme a profissional explica, alguns sintomas indicam que a glicemia está alta a ponto de precisar de atenção médica imediata e que não podem ser negligenciados: “poliúria, que é o volume de urina em excesso; polidipsia, que é a sede excessiva; polifagia, que é a fome excessiva e, ainda assim, com perda de peso inexplicada, bem como sinais de desidratação”, conta. “Todos eles indicam uma glicemia mais elevada e a inabilidade do pâncreas de lidar com estes níveis elevados. Isso pode levar a quadros de alta gravidade, como cetoacidose diabética ou coma hiperosmolar não cetótico”.
Algumas complicações e condições associadas podem surgir quando a glicemia permanece elevada acima de 250 por muito tempo, como a hiperglicemia, que “induz dano celular por formação de espécies reativas de oxigênio (estresse oxidativo), levando ao impacto vascular na micro e macrovasculatura (aumento da permeabilidade vascular, ampliação da matriz extracelular com espessamento da membrana basal, hipertrofia e hiperplasia endotelial e aumento da coagulação sanguínea) com órgãos alvo mais comumente afetados: rins, nervos periféricos, os olhos, o coração e o cérebro”.
Grupos de risco para glicemia elevada
Alguns grupos são mais propensos a apresentar glicemia alta sem perceber. Segundo a médica, idosos, crianças, pacientes digitalizados críticos e não críticos (queles que usam a internet e tecnologias para cuidar e/ou monitorar a saúde) sempre merecem maior atenção. Mas ainda existem situações que aumentam o risco de uma pessoa apresentar hiperglicemia, como:
- Doenças pancreáticas, como pancreatite crônica, fibrose cística e câncer pancreático;
- Endocrinopatias, incluindo a síndrome de Cushing, acromegalia, feocromocitoma e glucagonoma, que podem elevar a glicose através do excesso de hormônios contrarreguladores;
- Alguns medicamentos, como glicocorticoides, tiazidas, antipsicóticos, estatinas, betabloqueadores, fenitoína e inibidores de protease, que podem precipitar ou piorar a hiperglicemia.
Nesses casos, a atenção deve ser constante, já que situações de glicemia alta podem evoluir para uma emergência médica, como a cetoacidose diabética ou o estado hiperosmolar. “Quando os níveis de glicemia ultrapassam 250 a 300 e, principalmente, 500”, deve-se procurar atendimento médico sem demora”, afirma a endocrinologista.
Como cuidar corretamente da glicemia
Segundo a profissional, hábitos saudáveis ajudam a prevenir episódios de glicemia elevada, tanto em pessoas com diabetes quanto na população em geral. “Uma alimentação equilibrada, evitando excesso de carboidratos simples, refrigerante e outras bebidas açucaradas e doces, e priorizando legumes, verduras, carboidratos complexos e consumo de fibras”, indica.
Além disso, ela lembra, a prática regular de exercícios físicos e a manutenção de um peso corporal adequado são fatores essenciais para manter a glicemia em ordem. “Para isso, temos excelentes opções de medicamentos para o tratamento da obesidade, que é um fator de risco importante de diabetes tipo 2 e, por consequência, da hiperglicemia”, finaliza a endocrinologista.
Para quem apresenta sintomas recorrentes de glicemia alta, mas ainda não procurou avaliação médica por acreditar que seja apenas estresse ou cansaço, a médica é categórica: “Procure atendimento médico, em uma consulta com clínico geral ou endocrinologista. Caso a pessoa tenha fatores de risco, o ideal é o atendimento em emergência”, aconselha.
* Priscila Horvat é jornalista com foco em saúde e integra a equipe da Momento Diabetes.