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Notícias Precisa-se de pacientes com diabetes para pesquisas clínicas

Voluntários de pesquisas clínicas recebem acompanhamento médico de alto nível, aprendem a controlar a glicemia e ainda contribuem para o avanço da ciência.

Letícia Martins | 01/08/2019

Precisa-se de pacientes com diabetes para pesquisas clínicas

Da criação de um novo medicamento até a aprovação final pelos órgãos competentes de cada país, existe um longo caminho a ser percorrido. São de 9 a 15 anos de estudos e muitas drogas nem chegam ao conhecimento dos pacientes.

De acordo com o endocrinologista Mauro Scharf, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), de cada 10 mil compostos pesquisados pela indústria farmacêutica, 250 vão para a fase pré-clínica, somente cinco serão estudados em seres humanos e geralmente um será aprovado.

Depois de liberados para o uso, os fármacos continuam sendo estudados com o objetivo de se descobrir ou verificar os efeitos e a segurança deles na saúde dos pacientes. No Brasil, alguns centros de pesquisa são referência mundial na área de diabetes e se destacam pela excelência dos profissionais e pelo trabalho humanizado que desempenham.

 

Centros de pesquisas

Em São Paulo, por exemplo, o Centro de Pesquisas Clínicas (CPClin) reúne profissionais de diversas especialidades clínicas, como endocrinologia, nefrologia, infectologia, cardiologia, entre outros.

Já na capital paranaense, o Centro de Diabetes Curitiba, do qual doutor Mauro é um dos fundadores e diretores, foi criado em 1999, baseado no modelo do International Diabetes Center de Minneapolis, nos Estados Unidos. Ele é localizado dentro do Hospital Nossa Senhora das Graças e oferece atendimento multidisciplinar aos pacientes, realizando estudos científicos e pesquisas clínicas em níveis nacionais e internacionais.

Por lei, no Brasil, os pacientes não podem receber dinheiro nem pagar para participar de pesquisas clínicas. Contudo, recebem ajuda de custo para deslocamento e alimentação e ganham todos os exames, consultas e medicamentos, custeados pelo estudo.

Para Marinez Pugsley, coordenadora de pesquisa do CDC, “O maior benefício de ser voluntário em pesquisas clínicas é que o paciente será acompanhado por uma equipe médica multidisciplinar, receberá os medicamentos e orientações que precisa para controlar bem o diabetes”, ainda de acordo com ela, o objetivo é que os voluntários passem a saber as técnicas de autocuidado, o que geralmente resulta em satisfação e no interesse dele em participar de outros estudos.

 

Os desafios

Embora existam várias pesquisas em andamento no CDC e outras em fase de recrutamento, o processo de pesquisa pode ser mais trabalhoso do que parece. Acontece que os voluntários precisam ter compromisso com as consultas pré-agendadas, mesmo que perante a lei, possa desistir a qualquer momento de participar do estudo.

O endocrinologista André Vianna, professor da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e pesquisador do CDC, explica que, por se tratar de uma investigação clínica, no caso das pesquisas com medicamentos, embora as medicações sejam submetidas a diversos testes em animais antes de serem aplicadas nos seres humanos, existe um risco de efeito colateral desconhecido, por isso, nas palavras de Vianna, “Todo o respaldo médico e atendimento, em caso de hospitalização por algum motivo, é coberto pelo centro de pesquisa”.

Além disso, os centros de pesquisa muitas vezes encontram dificuldade em recrutar voluntários por diversos motivos, entre eles, o medo ou o receio por parte dos pacientes, a falta de conhecimento sobre o processo de recrutamento ou porque o candidato realmente não se encaixa no perfil.

 

Voluntário consciente

Perante a lei brasileira, as pessoas que participam da pesquisa não podem receber nenhum tipo de salário ou pagamento para isso. O ato deve ser voluntário. Em alguns casos, o centro de pesquisa pode custear despesas com transporte e alimentação, além de arcar com todos os medicamentos e exames que forem necessários durante a pesquisa.

O voluntário de pesquisa clínica pode desistir a qualquer momento, mas precisa assinar um termo de compromisso com as consultas pré-agendadas e seguir o tratamento conforme orientação da equipe médica.

Confira os benefícios para o paciente:

  • Recebe orientação e acompanhamento médico de qualidade com equipe multidisciplinar;
    • Realiza exames e consultas gratuitamente, enquanto durar o estudo;
    • Aumenta a adesão no tratamento e, consequentemente, melhora o controle glicêmico;
    • Ganha insulina e/ou medicamentos e insumos, como glicosímetro e fitas reagentes;
    • Recebe ajuda de custos para transporte, alimentação e hospedagem;
    • Aprende a controlar a alimentação;
    • Contribui para o avanço da medicina.

Para ficar por dentro dos estudos clínicos envolvendo pessoas com diabetes acompanhe os sites de hospitais e instituições renomadas, como o Centro de Diabetes Curitiba (centrodediabetescuritiba.com.br) e o Centro de Pesquisas Clínicas (cpclin.com.br).

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