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Diário de Bordo Ela venceu o diabetes!

Aos 85 anos, sendo 66 deles controlando a glicemia, Dona Carmen esbanja saúde e comemora uma longa caminhada sem nenhuma complicação, o que lhe rendeu até uma medalha de reconhecimento.

Bianca Fiori | 28/06/2017

Ela venceu o diabetes!

Década de 1950. Época que entrou para a história como os “Anos Dourados”. Enquanto a sociedade presenciava o avanço científico e tecnológico e passava por diversas mudanças culturais e comportamentais, uma jovem chamada Carmen Wills recebia uma notícia que transformaria sua vida. Aos 19 anos, ela descobriu ser portadora de diabetes mellitus insulinodependente, doença considerada fatal naquele tempo.

“Foi muito traumático. Como todas as pessoas que recebem esse diagnóstico, eu também emagreci muito, tinha muita sede e o cansaço me consumia. Dei entrada no hospital e fiquei internada vários dias até os médicos conseguirem estabilizar minha glicemia”, recorda.

Naquele tempo, poucas pessoas sobreviviam à condição, já que o acesso a medicamentos e aos recursos para medir a glicemia era restrito. Em função disso, as complicações decorrentes do diabetes tipo 1 se tornavam recorrentes. “Não era nada fácil medir a glicemia. Eu ia para o hospital uma vez por mês para fazer o exame de sangue”, relata Carmen. Essa rotina melhorou com o surgimento do medidor de urina, o Benedict, que identificava, a partir da cor do xixi, se a glicemia estava alta ou baixa. Para tanto, era preciso coletar a urina em um tubo de ensaio e depois fervê-la. Mesmo assim, o método não era 100% confiável e Carmen sofreu com inúmeras hipoglicemias.

O primeiro glicosímetro veio anos depois, nos idos de 1970. O aparelho tinha o tamanho de uma caixa de sapato (imagina só!) e funcionava com seis pilhas grandes. Em nada se compara ao modelo atual, que a aposentada carrega em uma bolsinha de mão, utiliza várias vezes por dia e fornece o resultado em instantes. A insulina, que havia sido desenvolvida cerca de 30 anos antes e era feita do pâncreas do porco, era aplicada com a ajuda de uma seringa e uma agulha “enorme”, que deveria ser esterilizada a cada aplicação. Carmen não teve muitas dificuldades em tomar insulina e também se acostumou aos novos hábitos alimentares.

“Depois do diagnóstico, saí do hospital levando uma balança para pesar os alimentos que iria consumir a partir de então”, conta. Sua dieta era limitada a 1.000 calorias por dia e os alimentos deviam ter 100 g cada. “Tive que me adaptar, mas não achei muito difícil. Foi uma questão de mudança de hábitos.”

Apesar de ter sido diagnosticada com diabetes muito jovem e ter tido poucos recursos tecnológicos para tratar a doença, o maior desafio na vida de Carmen foi tratar um câncer de mama, descoberto há 20 anos. Além de gerar sofrimento, o processo de quimioterapia e radioterapia dificultava o controle do diabetes e a luta era diária e redobrada. Hoje, porém, aos 85 anos, Carmen olha para trás e comemora mais de seis décadas de uma vida adoçada sob medida. Em 2000, ao completar 50 anos de diagnóstico, sem nenhuma complicação ou sequela e com uma hemoglobina glicada exemplar de 6.0 mg/dl, ela foi homenageada com uma medalha pelo Instituto Joslin de Diabetes, em Boston, nos Estados Unidos, que reconhece o esforço de pessoas que convivem tanto tempo de forma saudável com o diabetes tipo 1.

Ao ser questionada sobre o segredo de uma vida doce tão estável, Dona Carmen responde rapidamente: “Disciplina, alimentação equilibrada e saudável, exercício físico e muita alegria, otimismo e fé!”

*essa matéria é parte da revista Momento Diabetes, ed. 01, que pode ser adquirida aqui: bit.ly/momento01

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