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Giro Saúde Dia Mundial do Rim alerta para a doença renal crônica no diabetes

Por Priscila Horvat* O Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março, reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença renal crônica no […]

Momento Diabetes | 12/03/2026

Por Priscila Horvat*

O Dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março, reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença renal crônica no diabetes, uma das complicações mais comuns e silenciosas da condição.

Os rins funcionam como grandes filtros do organismo. Todo o sangue do corpo passa por eles, onde substâncias tóxicas e resíduos são eliminados por meio da urina. Quando esse sistema começa a falhar, a capacidade de filtrar o sangue diminui, comprometendo o funcionamento do organismo.

Segundo o endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Dr. Luis Henrique Canani, em entrevista à jornalista Letícia Martins para uma matéria publicada na revista DIABETESmagazine, níveis elevados de glicose ao longo do tempo podem provocar lesões nos pequenos vasos sanguíneos que chegam aos rins. “Com o passar do tempo, os pequenos vasos sanguíneos sofrem lesões decorrentes da glicose elevada, da pressão alta, do colesterol alto. E isso impacta nos rins, que vão perdendo a capacidade de filtrar”, explica.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença renal crônica (DRC) afeta cerca de 10% da população mundial e tem o diabetes como sua principal causa. No Brasil, dados do censo de 2023 da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) indicam que 32% das pessoas em diálise têm diabetes.

Além disso, a DRC também é um fator importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, responsáveis por cerca de 30% das mortes no mundo, segundo as Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao Paciente com Doença Renal Crônica do Ministério da Saúde.

Doença renal crônica no diabetes: complicação silenciosa

Um dos grandes desafios da doença renal crônica é que ela evolui de forma silenciosa. Em muitos casos, os sintomas só aparecem quando os rins já estão bastante comprometidos. Conforme explica o nefrologista Dr. Thyago Proença de Moraes, também membro da SBD, em entrevista à DIABETESmagazine, a doença pode permanecer sem sinais evidentes por anos. “Como a DRC é praticamente assintomática até em seus estágios mais avançados, o paciente só percebe que os rins perderam sua função quando ele já estiver muito perto de precisar fazer uma terapia renal substitutiva, seja ela a diálise ou o transplante renal”, detalha.

Quando surgem, os sintomas podem incluir inchaços nos membros inferiores, retenção de líquido, enjoo, falta de apetite, náusea, vômito e perda de peso sem motivo aparente. Por isso, especialistas reforçam a importância da conscientização para a realização dos exames de rotina.

Exames que ajudam a proteger os rins de quem tem diabetes

A DRC no diabetes pode evoluir de forma silenciosa por muitos anos. Por isso, exames simples e periódicos podem ajudar a detectar alterações na função dos rins antes que apareçam sintomas. Confira os dois principais:

  • Creatinina no sangue: avalia a quantidade de creatinina circulando no organismo, um resíduo produzido pelos músculos e eliminado pelos rins. Quando os níveis estão elevados, pode indicar que os rins não estão filtrando o sangue adequadamente;
  • Relação albumina/creatinina urinária: também chamada de albuminúria, essa análise detecta pequenas quantidades de proteína na urina. A presença de albumina pode ser um dos primeiros sinais de lesão renal causada pelo diabetes.

Essa avaliação periódica da função renal permite acompanhar a saúde dos rins ao longo do tempo e identificar precocemente a doença renal crônica. “É extremamente simples fazer o diagnóstico da DRC. Com os resultados em mãos, partimos para a segunda parte do diagnóstico, que é descobrir em qual estágio da doença o paciente está”, relata o Dr. Thyago. Apenas após descobrir o estágio é que o tratamento é indicado.

A recomendação é que pessoas com diabetes realizem esses exames pelo menos uma vez por ano, mesmo quando não apresentarem sintomas, já que a DRC costuma começar a aparecer entre 8 e 15 anos após o diagnóstico do diabetes.

Campanhas reforçam prevenção e diagnóstico

Campanha do Dia Mundial do Rim – 2026

Para ampliar a conscientização sobre o tema, o Vozes do Advocacy, grupo que reúne 28 organizações de diabetes no Brasil, promove, neste mês, a Campanha do Dia Mundial do Rim em 12 cidades brasileiras. A iniciativa tem como objetivo informar profissionais de saúde e a população sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.

Segundo Vanessa Pirolo, presidente do Vozes do Advocacy, a campanha também pretende estimular pessoas com diabetes a realizarem exames de rastreamento. “Faremos a campanha para sensibilizar a população com diabetes para que possa procurar os serviços de saúde e faça os exames de creatinina e de albuminúria para o diagnóstico precoce, para que possa descobrir a alteração renal no princípio e não precise chegar à hemodiálise”, afirma. Atualmente, o país conta com mais de 172 mil pacientes em diálise, sendo 85% atendidos pelo SUS. Desses, 94,6% realizam hemodiálise.

Durante o 1º Fórum Trinacional de Diabetes e Doenças Renais do Diabetes, realizado em 2025, o Ministério da Saúde informou que, em 2023, mais de 17 milhões de procedimentos renais foram realizados no país, com repasse de R$ 4,3 bilhões para estados e municípios. Para a presidente Vanessa, “esse montante poderia ser significativamente reduzido por meio de um maior investimento em iniciativas de prevenção e detecção precoce da condição”.

Com o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, a campanha deste ano também propõe uma reflexão sobre a necessidade de políticas de saúde mais inclusivas e sustentáveis, que garantam acesso ao diagnóstico e ao tratamento para todos.

Clique aqui e confira em nossa agenda todos as ações realizadas na campanha neste mês de março.


*Priscila Horvat é jornalista com foco em saúde e integra a equipe da Momento Diabetes.

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