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Giro Saúde Inverno exige atenção redobrada para quem vive com diabetes

Por Priscila Horvat* Com a chegada do inverno, aumentam os casos de gripe, resfriados, pneumonia e outras doenças respiratórias. Para quem vive com diabetes, esse período exige […]

Momento Diabetes | 09/07/2026

Por Priscila Horvat*

Com a chegada do inverno, aumentam os casos de gripe, resfriados, pneumonia e outras doenças respiratórias. Para quem vive com diabetes, esse período exige ainda mais atenção. Além do maior risco de desenvolver infecções, o frio pode dificultar o controle da glicemia, favorecer descompensações metabólicas e aumentar a chance de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), pessoas com diabetes apresentam maior risco de evolução para formas graves de infecções respiratórias, especialmente quando a glicemia está descontrolada. A entidade reforça que manter o diabetes bem controlado e a vacinação em dia é uma das principais estratégias para reduzir complicações.

O cenário também preocupa as autoridades de saúde. A mais recente edição do Boletim InfoGripe, da Fiocruz, mostra que o inverno concentra um aumento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocados por vírus como influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) e SARS-CoV-2 (covid-19), especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.

Inverno pode alterar a glicemia

Além das infecções, o próprio inverno pode influenciar os níveis de glicose no sangue. De acordo com informações da G7Med, uma das principais características desta época é “o aumento da produção de hormônios como o cortisol e a adrenalina, que são liberados em naturalmente pelo organismo em resposta ao estresse causado pelo frio”.

Segundo o G7, outro fator importante e que merece atenção no inverno é que a insulina pode ter sua eficácia reduzida, já que “o frio pode afetar a circulação sanguínea, dificultando a distribuição da insulina pelo corpo”. Como resultado, “o corpo pode precisar de mais insulina para gerenciar a glicose, e ajustes na medicação podem ser necessários durante para compensar essa alteração”.

A alteração da glicemia pode ainda piorar graças às sugestões de alimentos mais calóricas e reconfortantes sugeridas para consumo durante a estação, como sopas, massas e doces, as opções preferidas para aquecer o corpo. “Muitos desses alimentos são ricos em carboidratos simples e processados, que podem causar picos de glicose no sangue. A tendência de consumir alimentos mais pesados e calóricos pode contribuir para a dificuldade em manter níveis de glicose estáveis, tornando o monitoramento mais desafiador”, afirma o grupo.

A combinação desses fatores (aumento dos hormônios do estresse, a menor eficácia da insulina e a mudança nos hábitos alimentares) torna o inverno um período crítico para o manejo glicêmico, exigindo atenção redobrada para evitar complicações.

Além disso, quando uma pessoa com diabetes desenvolve uma infecção respiratória, o organismo passa por um estado de estresse que favorece o aumento da glicose no sangue. Isso pode exigir ajustes temporários no tratamento e monitorização mais frequente da glicemia. Por isso, durante episódios de gripe, Covid-19, SRAG, pneumonia ou outras infecções, é importante manter contato com a equipe de saúde e nunca interromper o tratamento por conta própria.

Mantenha seu cartão de vacinação em dia! Foto: SBD

Mantenha seu cartão de vacinação em dia! Foto: SBD

Vacinação é uma das principais formas de prevenção

A vacinação continua sendo uma das medidas mais eficazes de prevenção e para reduzir o risco de formas graves das doenças respiratórias. O Ministério da Saúde e a SBD recomendam que pessoas com diabetes mantenham atualizado o calendário vacinal, incluindo, conforme indicação médica e faixa etária:

  • vacina contra influenza (gripe);
  • vacina contra Covid-19;
  • vacina pneumocócica;
  • outras vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação.

Segundo a SBD, a imunização reduz hospitalizações, complicações e mortes relacionadas às infecções respiratórias. A entidade disponibilizou, inclusive, um modelo de cartão de vacinação para pessoas com diabetes, com o objetivo de ajudar os pacientes a manterem as vacinas em dia. O cartão pode ser baixado gratuitamente através deste link.

Cuidados vão além da glicemia

O endocrinologista Dr. André Vianna, do Centro de Diabetes de Curitiba, lembra que o inverno exige atenção especial também com outros aspectos da saúde, já que os pacientes têm mais propensão a doenças típicas do frio como rinites, resfriados, bronquite, pneumonia e alergias em geral.

Ele destaca ainda a importância dos cuidados com os pés, especialmente em pessoas com diabetes tipo 2 e naquelas que convivem há muitos anos com o diabetes tipo 1. “Caso a pele dos pés fique mais escura ou com a temperatura diferente do notado, é aconselhável a procura de um médico especialista, principalmente em pessoas com diabetes tipo 2 ou aqueles que têm tipo 1 há um longo período”, afirma.

O especialista também recomenda manter os ambientes arejados, evitar exposição prolongada ao frio, seguir corretamente o tratamento medicamentoso, manter uma alimentação equilibrada e ingerir água regularmente, mesmo quando a sensação de sede diminui. “Caso sinta que a doença pode ter aumentado sem o indício de melhoras, procure um médico”, enfatiza.

O inverno também pode afetar o bem-estar emocional de algumas pessoas, favorecendo sintomas como desânimo e tristeza sazonal. Segundo a G7Med, esse cenário pode influenciar hábitos alimentares e comprometer o controle da glicemia. Por isso, manter uma rotina de atividade física, mesmo que seja eventualmente dentro de casa, preservar o convívio social e buscar apoio profissional quando necessário também fazem parte dos cuidados durante a estação.

Cinco cuidados importantes no inverno para quem tem diabetes

  1. Mantenha a glicemia monitorada com mais frequência;
  2. Não deixe de praticar atividade física, mesmo em dias frios;
  3. Mantenha a vacinação em dia;
  4. Hidrate-se adequadamente, mesmo com menor sensação de sede;
  5. Procure atendimento médico caso apresente febre persistente, dificuldade para respirar, hiperglicemia de difícil controle ou sinais de desidratação.

“Cuidados no dia a dia são fundamentais na vida de quem tem diabetes e, como eles já estão acostumados com isso, é mais fácil que coloquem em prática”, finaliza o Dr. André Vianna.


* Priscila Horvat é jornalista com foco em saúde e integra a equipe da Momento Diabetes.

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