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Fabiana Couto Fadiga pandêmica e o diabetes: como praticar a autocompaixão

Enquanto a pandemia avança, nosso cansaço e esgotamento também aumentam. Se você se sente assim, saiba que não está só.

Redação | 05/07/2021

Enquanto a pandemia avança, nosso cansaço e esgotamento também aumentam. Se você se sente assim, saiba que não está só

Na seção Entre DIVAbéticas, da revista Momento Diabetes nº 28, a psicanalista Fabiana Couto, criadora do Movimento Divabética, falou sobre fadiga pandêmica e o controle do diabetes.

No texto, ela comenta que as pessoas com diabetes e cuidadores, além de todas as preocupações trazidas pelo surto de novo coronavírus, ainda precisam lidar diariamente com os cuidados da condição, que podem ser ainda mais desafiadores num contexto de pandemia.

“Ouvimos o tempo todo que fazemos parte do grupo de risco e, por isso, precisamos manter o bom controle glicêmico. No entanto, apesar dos esforços, nem sempre se faz possível. São muitas as demandas médicas, alimentares, e emocionais, e como ficamos em meio a tudo isso? E mais: como lidar?”, questiona Fabiana.

Diabetes burnout

Na reportagem, a psicanalista também comenta sobre o diabetes burnout, palavra que vem do inglês e significa esgotamento. “Burnout é um estado de exaustão emocional, mental e física provocado por estresse prolongado ou repetido”, ensina.

No caso do diabetes, com o tempo, o peso de lidar diariamente com a condição, pode levar ao burnout, que é quando a pessoa se sente desanimada e frustrada, muitas vezes caindo em hábitos pouco saudáveis, como parar ou reduzir o monitoramento do açúcar no sangue, não fazer ou esquecer de fazer a contagem de carboidratos, ter uma alimentação desequilibrada, deixar de aplicar doses de insulina ou não aplicar da forma apropriada, e até pular as consultas médicas. Ou seja, de certa forma “abandonar” temporariamente o tratamento.

Tudo isso leva a pessoa a altos níveis de glicose e maior instabilidade glicêmica, o que causa ainda mais desânimo, frustração e esgotamento. O diabetes burnout acontece com muitas – senão com a maioria – das pessoas com diabetes em algum momento da vida, porém, em um momento de tensões e ansiedade como o que estamos vivendo, fica mais fácil colocar o diabetes nessa equação. Por isso, praticar a autocompaixão e tomar um tempo para si mesmo (a) se torna fundamental neste momento.

Na revista, a criadora do Movimento Divabética explana mais sobre o assunto e fala também sobre a importância de praticar a autocompaixão, que você pode conferir no texto a seguir, escrito pela própria Fabiana Couto:

Autocompaixão e resiliência na pandemia e no diabetes

Talvez a maior ferramenta que eu já usei e recomendo para que possamos sair desse momento de fadiga, cansaço e esgotamento é a autocompaixão.

Um estudo publicado em 2016 na revista Diabetes Care, mostrou que praticar a autocompaixão melhorou o humor e sensação de bem-estar das pessoas diabéticas – assim como a glicose no sangue.

No pequeno estudo, porém bastante promissor, 32 pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 que fizeram um curso de autocompaixão consciente durante oito semanas tiveram menos sintomas de depressão e estresse relacionado ao diabetes após três meses. Eles também reduziram a hemoglobina A1C, em quase 1%, uma quantidade clinicamente significativa.

Conforme diz Kristin Neff, maior autora e pesquisadora do assunto no mundo “Autocompaixão é quando oferecemos a mesma gentileza e cuidado que daríamos a um amigo muito querido, e isso envolve agir da mesma forma consigo mesmo quando você está passando por um momento difícil, comete um erro ou percebe algo que você não gosta em si mesmo. Ao invés de apenas ignorar a sua dor com uma mentalidade de “simplesmente engula o choro”, você para e diz a si mesmo “isso é realmente difícil agora”, como posso confortar e cuidar de mim neste momento?”

Esse olhar amoroso consigo mesmo, diante de tantas dificuldades vividas, o acolhimento de dores e angústias que estão presentes, é um caminho saudável para reestabelecer sua autoestima, e inclusive uma rotina de cuidados, pois você evolui a partir do amor e não da crítica e o autojulgamento.

Como diz Kristin: “Você pode tentar mudar de maneiras que lhe permitam ser mais saudável e feliz, mas isso é feito porque você se preocupa com você mesmo, não porque você é inútil ou inaceitável como é. Talvez o mais importante de ter compaixão por si mesmo é que você honra e aceita sua humanidade e que as coisas nem sempre serão da maneira que você deseja. Você encontrará frustrações, perdas ocorrerão, cometerá erros, enfrentará suas limitações, ficará aquém de seus ideais. Essa é a condição humana, uma realidade compartilhada por todos nós. Quanto mais você abrir seu coração para essa realidade, em vez de lutar constantemente contra ela, mais será capaz de sentir compaixão por si mesmo e por todos os seus semelhantes na experiência da vida.”

Alguns passos para praticar a autocompaixão são:

  • Pare, perceba e reconheça que está em um momento de dificuldade: Isso significa que você está presente para sua dor naquele momento ao invés de ignorá-la.
  • Veja sua situação como algo que é parte de uma experiência humana: Aqui você percebe que não está sozinho e que outras pessoas passam pelas mesmas dificuldades.
  • Fale consigo mesmo como falaria com um amigo querido: É muito  comum sermos críticos consigo mesmos quando presenciamos uma dificuldade, temos muitos conceitos de que deveríamos ser diferentes do que somos, e uma grande dificuldade de aceitarmos nossas limitações, diferentemente de quando um amigo nos procura com um problema.
  • Pergunte-se o que você precisa: Cuide de si com compaixão e ouça suas necessidades, como faria com um bebê que chora por comida, colo ou atenção. Você jamais diria que a necessidade de um bebê é bobagem, então não faça isso com as suas necessidades também.
  • Respire e conforte-se: Faça uma respiração mais calma, desacelere e seja gentil consigo mesmo, muitas vezes colocar as mãos em seu coração, ou se dar um abraço, ajuda seu corpo a produzir oxitocina que é o hormônio do bem estar, e te ajuda a regular suas emoções.

Para saber mais e praticar a autocompaixão em tempos difíceis, indico o livro da própria Kristin Neff, traduzido para o português “Pare de se torturar e deixe a insegurança para trás”, e meditações com a temática.

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