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Alimentação 7 mitos e verdades sobre alimentação de quem tem diabetes

Por redação* Um dos maiores desafios para quem recebe o diagnóstico de diabetes ou já convive com a condição há algum tempo é adotar uma alimentação equilibrada […]

Momento Diabetes | 06/05/2026

Por redação*

Um dos maiores desafios para quem recebe o diagnóstico de diabetes ou já convive com a condição há algum tempo é adotar uma alimentação equilibrada que ajude a controlar a glicemia. Mas aí aparecem os mitos, as chamadas fake news, afirmando (sem fundamento) que pessoas com diabetes tem que deixar de comer o que mais gosta. Será mesmo que existem alimentos proibidos para quem tem diabetes? “A resposta é não! O segredo é saber dosar a quantidade dos alimentos dentro da realidade de cada paciente”, esclarece a nutricionista Fernanda Tupinambá, que também tem diabetes tipo 1 (DM1) há quase 15 anos.

Ela explica que não existe um único alimento que por si só seja capaz de gerar saúde ou doença. Vários fatores devem ser considerados na rotina do paciente. Fernanda conta que ao longo dos anos como nutricionista já ouviu muitas histórias sobre restrições para pessoas com diabetes. A seguir, ela esclarece alguns dos principais mitos e verdades.

MITO: Pessoas com diabetes não podem consumir alimentos que “nascem” embaixo da terra. Foto: Freepik

MITO: Pessoas com diabetes não podem consumir alimentos que “nascem” embaixo da terra. Foto: Freepik

1) MITO: Pessoas com diabetes não podem consumir alimentos que “nascem” embaixo da terra

Uma das fake news mais frequentes é que quem convive com diabetes não pode comer alimentos que nascem embaixo da terra, como batata, mandioca, inhame, cenoura e beterraba. “É um mito que eu venho batalhando diariamente para derrubar no consultório. As pessoas ainda têm essa ideia de que todos os alimentos debaixo da terra devem ser evitados e só podem ser consumidos os que nascem em cima da terra”, explica Fernanda, que é nutricionista do Programa de Diabetes da Prefeitura Municipal de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.

As raízes e tubérculos, em geral, são carboidratos, ou seja, são os alimentos energéticos, essenciais para garantir o bom funcionamento do corpo. O mito se deve ao fato de as pessoas pensarem que o carboidrato vai se transformar em açúcar e elevar a glicemia, sendo cortados da alimentação sem nenhuma indicação médica, o que é muito prejudicial para saúde, pois ricos em nutrientes.

“É interessante como isso vai se perpetuando, passando de geração em geração. Muita gente deve até gostar demais de alguns desses alimentos e não come porque ouve de alguém que não pode e ficou por isso mesmo”, relata  Fernanda. Quando o alimento é analisado, o paciente entende que os benefícios são muitos e a capacidade de impactar o nível de glicemia é baixo, se consumido na quantidade adequada.

Um exemplo é a beterraba, considerada ruim por muitas pessoas com diabetes por ser doce. No entanto, uma colher de sopa (cerca de 16 gramas, segundo o Manual de Contagem de Carboidratos da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) do tubérculo cru tem apenas 1 (um) grama de carboidrato. Se a beterraba estiver cozida, a mesma quantidade vai ter, aproximadamente, 20 gramas, porque tem mais a água do cozimento. Neste caso, serão 2 gramas de carboidrato, ou seja, uma quantidade insignificante para prejudicar o controle do diabetes.

“À medida que eu vou explicando todo esse contexto dos alimentos, o olho do paciente vai brilhando. Afinal, são muitos benefícios oferecidos pela beterraba”, ressalta a profissional.

A mesma dúvida acontece com a batata-doce, principalmente pelo nome. Conforme o Manual de Contagem de Carboidratos da SBD, uma colher de sopa do tubérculo cozido (30 gramas) tem 8 (oito) gramas de carboidrato. “A questão é trabalhar a porcentagem e a escolha dos alimentos na refeição. Por exemplo, num almoço, ao invés de colocar o arroz e a batata-doce, o paciente pode optar pela batata-doce”, explica.

Por isso, os alimentos cultivados debaixo da terra podem ser consumidos sem restrições por quem convive com a condição, desde que sejam bem higienizados e que seja feito o cozimento adequado.

2) Um dos maiores mitos

O pão, um dos alimentos tão queridos dos brasileiros, só é proibido para quem tem alguma restrição específica, como o paciente celíaco, que não pode consumir o glúten.

No caso de quem vive com diabetes, é possível, sim, incluir o pão na alimentação, se o paciente seguir as orientações médicas. O pão francês, por exemplo, é composto basicamente de farinha de trigo branca, sal, um pouco de açúcar, água e óleo. É um tipo de alimento que, se consumido sozinho, pode causar um pico glicêmico muito rápido, porque não tem nenhuma fibra.

Para evitar isso, o indicado é incluir na refeição uma fonte de proteína como queijo branco, que é mais magro, ou até mesmo a muçarela. O ovo é também uma boa opção. Trazendo essa fonte de proteína e de gordura, o consumo do pão francês fica mais viável, pois fica mais nutritivo.

“É preciso lembrar que tudo o que se come vai causar impacto na glicemia, por isso o paciente precisa aprender a fazer o manejo adequado”, destaca a nutricionista.

O pão é também uma boa opção de fonte energética no pré-treino. A pessoa vai consumir o carboidrato que vai energizar e ser queimado no treino. E isso vale no pós-treino, afinal, depois de toda a atividade, a pessoa vai precisar de um carboidrato também.

3) Consumo de frutas e legumes

Os brasileiros, em geral, precisam aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes. A própria Organização Mundial da Saúde preconiza que devemos consumir diariamente 400 gramas de frutas e verduras e legumes, mas está meta está longe de ser batida.

Para quem vive com diabetes, no entanto, é preciso ter alguns cuidados com a quantidade adequada para manter a glicemia controlada.

No caso da uva, por exemplo, o ideal é consumir 100 gramas e evitar o suco, mesmo que integral e sem açúcar, devido à quantidade de frutose, pois são muitas frutas usadas para a produção.

E qual seria, então, a melhor fruta para uma pessoa com diabetes? A nutricionista esclarece: aquela que a pessoa mais gosta. “Se o paciente gosta de abacaxi, laranja ou caqui, pode comer. Lembrando que as frutas cítricas ajudam no melhor aproveitamento do aporte do ferro e dos nutrientes da refeição”, frisa.

Ela lembra que se deve sempre dar preferência por consumir a fruta íntegra, devido às fibras, comendo casca (bem higienizada) e, se possível, com algum acompanhamento, como um coco fresco, rico em gordura e das fibras, castanhas, aveia ou farelo de aveia.

Já os legumes e verduras são essenciais para montar um prato bem colorido e nutritivo.

Diferenças dos açúcares. Foto: Freepik

Diferenças dos açúcares. Foto: Freepik

4) Diferenças dos açúcares

Açúcar mascavo, light, demerara, açúcar de coco: açúcar é açúcar e é um alimento que todos devem consumir com muita moderação, especialmente quem já recebeu um diagnóstico de diabetes, já que o açúcar causa o impacto glicêmico de forma rápida, por ser um alimento de caloria vazia.

O refrigerante tradicional também tem calorias vazias, então entra na questão de bebida açucarada que não traz nenhum benefício para a saúde. Mas se a pessoa estiver com muita vontade e quiser muito tomar a bebida, uma opção é o refrigerante zero açúcar, mas que também não tem nenhum nutriente. Por isso, as bebidas açucaradas não são indicadas para pessoas com diabetes.

Mas é possível educar o paladar. No caso do café, a opção é ir diminuindo aos poucos a quantidade de açúcar. Com esse “treino” das papilas gustativas, vai chegar a um ponto em que a pessoa acha o café sem açúcar saboroso. Outra opção é usar adoçante.

5) As verdades por trás dos alimentos ultraprocessados

Produtos de pacote, como salgadinho, macarrão instantâneo e toda essa categoria de alimentos ultraprocessados não são interessantes para pessoas com diabetes, para quem tem resistência insulínica ou mesmo para a população, de modo geral.

Isso porque eles são alimentos que tem um impacto rápido na glicemia e causam uma resistência à ação da insulina pelo próprio excesso de gorduras e de aditivos. Nesse caso, mesmo aplicando a insulina para manejar, o consumo destes produtos pode dificultar o manejo da glicemia.

6) Ocasiões especiais

Comer é um ato social e a pessoa com diabetes pode e deve ir a eventos e festas – desde se sinta bem no local e saiba fazer escolhas do que vai comer.

Mas não é preciso comer de tudo o que será servido e nem tão rápido. “Você escolhe o alimento que fizer mais sentido para o seu caso. Por exemplo, o bolo do aniversário eu faço questão de comer. Então dou uma segurada nas outras guloseimas e como a fatia do bolo”, explica Fernanda.

Se o paciente faz uso de insulina, é possível manejar e ter noção prévia para comer com segurança.

7) Comer sem culpa

A comida para pessoas com diabetes não é diferente da comida de pessoas sem diabetes. A montagem do prato é padrão, usando os mesmos parâmetros e medidas.

O prato deve ser divido em quatro partes: ¼ composto de carboidratos, como arroz e a batata, por exemplo. O outro ¼ deve ser dividido ao meio, para acomodar leguminosas, como feijões, e proteína magra, sem a capa de gordura, do tamanho da palma da mão da pessoa.

A outra parte do prato deve ser preenchida com folhas e legumes crus ou cozidos. “É um prato colorido, diverso e nutritivo. E pode acompanhar também uma fruta cítrica, como uma laranja, por exemplo”, sugere a nutricionista.

E é essencial caprichar na hidratação e fazer atividade física (se não houver nenhuma restrição), que também ajuda no manejo da glicose.


* Raquel Ferreira é jornalista com foco em saúde e integrou a equipe da Momento Saúde Editora

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