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Notícias Conheça o pâncreas artificial

Quando se trata de tecnologia, toda pessoa com diabetes sonha com um sistema automático que seja capaz de controlar sozinho os níveis de glicose sem que o usuário precise […]

André Vianna | 10/03/2021

Quando se trata de tecnologia, toda pessoa com diabetes sonha com um sistema automático que seja capaz de controlar sozinho os níveis de glicose sem que o usuário precise se preocupar com nada. Em inglês, trata-se do “fit and forget”, ou seja, use e esqueça.

O desenvolvimento dos sistemas automáticos de entrega de insulina tem vários nomes, os mais conhecidos são “pâncreas artificial”, “pâncreas biônico” ou mesmo “sistema de alça-fechada”. Todos compartilham o mesmo método: um monitor contínuo de glicose (CGM) conectado a um algoritmo inteligente que ajusta a infusão de uma bomba de insulina. O resultado: maior tempo na meta e menos hipoglicemias. Não é bom?

Atualmente já está disponível no mercado de alguns países o Sistema Medtronic 670G®, que é chamado de sistema de alça fechada híbrido. Trata-se de uma transição entre os sistemas manuais e os automatizados de pâncreas artificial. Nele, o usuário precisa apenas informar a quantidade de carboidratos que irá utilizar para impedir uma hiperglicemia pós-prandial. Na linguagem do usuário, os bolus são manuais.

Também é necessário calibrar o sensor de glicose 2 a 3 vezes ao dia, através da glicemia capilar. Todo o controle da glicose nos períodos de jejum é feito automaticamente pelo sistema através de uma infusão basal de insulina regulada pelo algoritmo. Os resultados são animadores na prática e os estudos conseguem demonstrar uma obtenção de tempo na meta acima de 70%.

Em janeiro de 2020, foi lançado nos Estados Unidos o Sistema Tandem t:slim X2® com a tecnologia Control-IQ®. Este é um passo a mais rumo à automatização. O sistema se assemelha ao Sistema Medtronic 670G em relação ao controle automático da insulina basal. Os diferenciais são 2: não há necessidade de calibrar o sensor de glicose Dexcom G6® com a glicemia capilar e o sistema providencia automaticamente um bolus de correção toda a vez que prever um valor de glicose acima de 180 mg/dL nos próximos 30 minutos.

Já é um tanto a mais de automatização, porém ainda não é o pâncreas artificial completo, como se promove na mídia. O usuário ainda precisará contar os carboidratos da alimentação e informar ao sistema para que haja o bolus alimentar. Mesmo assim os resultados do sistema são animadores e o tempo na meta obtido nos estudos ultrapassa 70%.

A Medtronic promete para meados de 2020 um upgrade com o lançamento do sistema 780G®. Esse novo sistema tentará obter um tempo na meta acima de 80%. Para isso, além das funcionalidades do 670G, ele trará também os bolus de correção automáticos com correções que buscam uma meta de glicose de 100 mg/dL. O seu antecessor, por segurança, coloca o objetivo normalmente em 120 mg/dL. Além disso, trará conectividade por bluetooth, o que permitirá o compartilhamento de dados na nuvem através do smartphone, com cuidadores, parentes e profissionais da saúde.

Os novos sistemas da Tandem e da Medtronic são o elo entre a bomba de insulina comum e o verdadeiro pâncreas artificial. Além de fornecerem um excelente controle da glicose nos períodos sem alimentação, já são capazes de controlar ao menos parcialmente os picos hiperglicêmicos com bolus automáticos de insulina. Falta muito pouco para a automatização completa, mas com essas tecnologias o tempo na meta acima de 70% já poderá ser considerado uma realidade para a maioria dos usuários.

E a corrida rumo ao pâncreas artificial não para por aí. Outras empresas e consórcios detêm equipamentos em fase de pesquisas, utilizando-se de sistemas de um hormônio (insulina) ou bi-hormonais (insulina e glucagon). Assim, o objetivo de se atingir um tempo na meta considerado seguro com o mínimo de hipoglicemias parece cada vez mais próximo.

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