Por Priscila Horvat*
Entre os dias 29 e 31 de outubro, o Centro de Convenções e Hotéis Windsor, no Rio de Janeiro, foi palco do XXV Congresso Brasileiro de Diabetes. Organizado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o evento recebeu mais de 4 mil inscrições em sua edição comemorativa do Jubileu de Prata, consolidando-se como o maior evento sobre diabetes da América Latina, com a presença de pesquisadores, profissionais de saúde, sociedades científicas e lideranças de todo o país.
A solenidade de abertura reforçou o caráter histórico dos congressos da SBD, com representantes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Associação Latino-Americana de Diabetes (Alad) e Federação Internacional de Diabetes (IDF) fizeram parte da composição da mesa de abertura, demonstrando a importância da programação.
Ao declarar o evento oficialmente aberto, o presidente da SBD, Dr. Ruy Lyra, destacou o papel institucional da Sociedade ao longo de quase seis décadas de atuação: “A SBD foi fundada há quase 60 anos por iniciativa de ilustres diabetologistas de todo o Brasil. Hoje somos milhares de sócios espalhados pela federação, sendo uma das maiores do mundo em número de membros da área. E esse congresso faz parte da missão de nossa sociedade, ou seja, trabalhar para o fomento da informação científica de alta qualidade, bem como a troca de experiências com o corpo associativo”.
Na sequência, a presidente do congresso, Dra. Lenita Zajdenverg, emocionou o público ao resgatar a memória das 25 edições do evento: “Celebramos o Jubileu de Prata dos Congressos da Sociedade Brasileira de Diabetes, um marco que representa 25 edições de compromisso com a ciência, a educação e o cuidado à pessoa com diabetes”, afirmou.
“Vivemos uma era de intensa disseminação de informações, que amplia o acesso ao conhecimento, mas também abre espaço para distorções e pseudoverdades e a perigosa banalização da ciência. Cabe a nós reafirmarmos o valor da ética, da empatia e do pensamento crítico”, afirmou a médica, defendendo a importância da ética e do pensamento crítico em tempos de intensa circulação de informações.
Homenagens emocionam o público
A abertura do congresso ainda reservou um momento exclusivamente para reconhecer e honrar profissionais que marcaram a trajetória da endocrinologia e da diabetologia no país. Foram homenageados os membros octogenários da SBD: Dr. Leão Zagury, Dr. José Egídio de Oliveira, Dr. Antônio Carlos Lerário, Dr. João Modesto, Dr. Renan Magalhães e o professor Dr. Dr. Adolfo Mileck.
O Dr. Leão Zagury, último fundador vivo da SBD, foi o responsável por um dos discursos mais aplaudidos da noite, recordando seu nascimento em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial: “Quando perguntei à minha mãe como teve coragem de engravidar de um filho judeu em meio à perseguição na Europa, ela respondeu: ‘Meu filho, porque senão eu estava dando razão a eles’. Que sejamos todos muito lutadores e vençamos todas as dificuldades!”, contou.
Outro momento marcante foi a homenagem ao Instituto da Criança com Diabetes (ICD), representado pelo diretor-presidente Dr. Balduino Tschiedel, que relembrou o trabalho da equipe durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul: “Durante as enchentes de 2024, nossa equipe trabalhou incansavelmente, coordenando a entrega de insumos por todo o estado, inclusive de barco e helicóptero. Esse esforço coletivo foi reconhecido e saiu até na mídia internacional”. O médico ainda destacou que o ICD já reduziu em 95% as internações por diabetes tipo 1 entre os pacientes acompanhados.
A SBD também homenageou a endocrinologista Dra. Karla Melo, fundadora e coordenadora do Departamento de Saúde Pública da Sociedade, por sua contribuição científica e atuação em políticas públicas. A sessão foi encerrada com a homenagem à Dra. Lenita Zajdenverg e com a entrega do Prêmio Francisco Arduino à Dra. Marília de Brito Gomes, reconhecendo sua carreira dedicada ao ensino e ao cuidado em diabetes.
(Con)vivendo com diabetes há décadas
Um dos momentos mais aguardados desta edição do congresso foi a entrega das medalhas a pacientes com mais de 25 anos de convivência com diabetes. O testemunho de Cláudia Maria Moreira Sampaio Neto, que vive com DM1 há 52 anos, emocionou o auditório: “Essa medalha é um prêmio de resiliência, de força, de coragem. Eu quero fazer um apelo para que todos lutem para que as pessoas com diabetes tenham acesso às tecnologias que salvam vidas”.
Fechando com chave de ouro, a celebração encerrou com uma linda homenagem à Carmen H. Wills, de 94 anos, com 75 anos de diagnóstico de diabetes tipo 1, considerada uma das pessoas que vivem com a doença há mais tempo em todo o país. “Eu só tenho palavras de gratidão. Agradeço a Deus, a todos da SBD e à Letícia Martins, que contou a minha história. Vocês são formidáveis. Vamos para os 80, para os 100 [anos com diabetes]!”, declarou Carmen, surpresa e emocionada. A história mencionada por ela diz respeito ao livro “Carmen H. Wills: 75 anos superando o diabetes tipo 1”, escrito pela jornalista e editora da Momento Diabetes, Letícia Martins. O livro foi lançado em novembro deste ano e está à venda no site da Momento Saúde Editora.
A seguir, confira alguns dos momentos marcantes do Congresso nas fotos registradas pela jornalista Letícia Martins ou parceiros da Momento Diabetes:
No ano em que celebra suas 25 edições, cada dia do Congresso Brasileiro de Diabetes foi um lembrete do compromisso da SBD com o avanço científico e da educação em diabetes, sem deixar de lado a importância de profissionais e pacientes que, dia após dia, construíram a história e a evolução do tratamento do diabetes no Brasil.
*Priscila Horvat é jornalista com foco em saúde e integra a equipe da Momento Diabetes.



























