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Diário de Bordo A maior fake news que ouvi: “Disseram que se eu comesse doce, teria que amputar o pé”

Por Raquel Ferreira* Ana Victória de Cássia Mangini Nery era estudante de publicidade e propaganda quando participou pela primeira vez de um podcast – o da Momento […]

Momento Diabetes | 02/07/2026

Por Raquel Ferreira*

Ana Victória de Cássia Mangini Nery era estudante de publicidade e propaganda quando participou pela primeira vez de um podcast – o da Momento Diabetes – e contou em detalhes sua história vida com uma condição autoimune. Ela recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 (DM1) aos 10 anos e, durante sua jornada pós-diagnóstico, ouviu que, se comesse muito doce, precisaria amputar o pé. Essa é uma frase impactante, uma história real, mas o final vai te surpreender.

Com a descoberta da condição, vieram várias informações erradas e equivocadas. Entre os “achismos” de pessoas leigas até chegar às orientações corretas, vindas de um profissional médico, o caminho foi longo.

A história de “amputar o pé”

“A história é um pouco traumática. A maior fake news que ouvi em relação ao diabetes foi que eu teria que amputar o pé se comesse uma bala. Aconteceu durante o meu primeiro encontro com um rapaz. Fomos a uma loja e eu peguei um pacote de bala. Ele me olhou e disse que eu não podia comer doce por ser diabética e que, se eu fizesse isso, ia ter que amputar meu pé”, conta Ana.

Esse é um dos maiores mitos sobre o diabetes. Pessoas que convivem com a condição, seja o diabetes tipo 1 ou tipo 2, não estão necessariamente destinadas a desenvolver complicações graves. As complicações podem surgir principalmente quando a glicemia permanece descontrolada por longos períodos. Em muitos casos, especialmente quando o diagnóstico é tardio, as alterações no organismo acontecem de forma silenciosa, sem sintomas evidentes, o que pode retardar o início do tratamento e aumentar o risco de problemas futuros. Ou seja, não é o consumo de uma bala ou um alimento isolado que vai levar a situações extremas como amputar um membro.

Nasce a influenciadora Diabética Tipo 1 Sol

Aos 10 anos, Ana ficava cansada o tempo todo e bebia muita água. “Eu lembro que minha mãe comprava aqueles galões de cinco litros de água e deixava na cozinha. Eu me recordo de ter bebido os cinco litros sozinha”, conta Ana. Quando ela ficou de cama devido ao cansaço, a mãe procurou ajuda médica. Durante o atendimento veio a surpresa: 539 de glicemia. “Não senti sintomas de cetoacidose, mas provavelmente eu estava”, relembra.

Com esse quadro, ela poderia ter desmaiado ou entrado em coma, pois a cetoacidose acontece quando o corpo, por falta de insulina, começa a usar gordura como fonte de energia, produzindo corpos cetônicos, que tornam o sangue ácido.

Foi aí que veio o diagnóstico de diabetes. O choque foi grande, principalmente porque, até então, a família de Ana não tinha ouvido falar sobre diabetes em crianças. Após ficar internada uma semana, Ana se consultou com um endocrinologista, descobriu mais detalhes do diagnóstico e iniciou o tratamento.

Hoje, Ana é comunicadora em diabetes e, em seu perfil @diabeticatipo1sol, conta sua rotina, compartilha experiências e divulga informações sobre o assunto. Mas, antes de se tornar influencer, Ana percorreu um caminho difícil durante o tratamento.

Um pico de hipoglicemia que serviu de lição

Mas a virada de chave mesmo veio aos 21 anos, quando ela sofreu um episódio de hipoglicemia severa, em agosto de 2019. “Eu tinha marcado de escalar a Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí (MG), com alguns amigos. Nós sairíamos de um certo ponto às 7h, mas deu 6h30 e eu não tinha chegado porque estava desmaiada na cama. Minha mãe tentou me acordar, mas não conseguiu”, lembra Ana.

Quando chegou ao hospital, Ana estava com a glicemia muito baixa, em 31 m/dL, o que já caracteriza um quadro de hipoglicemia, mesmo sem sintomas. “Eu poderia ter entrado em coma. Eu tenho mais medo da hipoglicemia porque, na verdade, é uma crise aguda”, afirma.

Ana reconhece que, na época, não seguia o tratamento adequadamente. Depois desse susto, ela começou a frequentar eventos focados em diabetes e conheceu vários influenciadores digitais que falam sobre o assunto. Foi quando surgiu a ideia de fazer parte desta comunidade de um jeito positivo. “Por que eu não posso fazer também?”. Foi com esse pensamento que nasceu o perfil Diabética tipo 1 Sol.

“Criei esse perfil no Instagram para mostrar a minha rotina, o que eu comia, o que eu fazia, minhas glicemias reais, da hora da postagem”, explica a influenciadora. Ela conta que, hoje, recebe os recém-diagnosticados como gostaria que tivesse sido recebida na época, para que eles se sintam acolhidos e saibam que não estão sozinhos. “Quero que as pessoas que têm diabetes consigam levar uma vida mais leve”, finaliza Ana.

Quer saber mais curiosidades da vida dessa influenciadora? Assista à entrevista completa no canal do YouTube da Momento Diabetes:


Raquel Ferreira é jornalista com foco em saúde e integrou a equipe da Momento Saúde Editora.

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