Coloque seu celular no modo retrato

Notícias Anvisa libera uso de medicamento que atrasa aparecimento de DM1

Por redação* A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso, no Brasil, do teplizumabe em pessoas com diabetes tipo 1 estágio 2 a partir de […]

Momento Diabetes | 11/03/2026

Por redação*

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso, no Brasil, do teplizumabe em pessoas com diabetes tipo 1 estágio 2 a partir de 8 anos de idade, para atrasar o desenvolvimento do estágio 3. O teplizumabe é um anticorpo monoclonal anti-CD3 desenvolvido para modular a atividade dos linfócitos T envolvidos no ataque autoimune às células produtoras de insulina e comercializado sob o nome Tzield.

A indicação do uso do medicamento, como consta na liberação da Agência, afirma que o ‘Teplizumabe é destinado a retardar o início do diabetes mellitus tipo 1 em indivíduos de alto risco, que possuem dois ou mais autoanticorpos relacionados à doença e que apresentam disglucose, apresentando, assim, um risco de 75% de progressão da doença em aproximadamente 4 a 5 anos, e um risco vitalício de quase 100%”. 

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico passa a atacar, por engano, as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. “Até agora, o tratamento era baseado apenas na reposição da insulina que o organismo havia deixado de produzir”, explica a Dra. Melanie Rodacki, coordenadora do departamento de diabetes tipo 1 adulto da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). “Mas agora estamos entrando em uma nova fase, na qual é possível intervir no processo imunológico que leva à destruição dessas células. Isso abre uma perspectiva de modificar a história natural da doença e retardar o seu aparecimento clínico”.

A progressão do diabetes tipo 1 ocorre em quatro estágios. Nos estágios 1 e 2, a doença ainda é pré-sintomática: não há sintomas nem necessidade de uso de insulina. Nessas fases, já é possível detectar autoanticorpos específicos no sangue. No estágio 1 não existe nenhuma anormalidade da glicose, mas no estágio 2 há alterações leves da glicose, mais ainda sem preencher critérios para diabetes. O estágio 3 é caracterizado por alterações da glicose que preencham critérios diagnósticos para diabete mellitus, com ou sem sintomas como sede excessiva, perda de peso, fadiga e visão turva. O estágio 4 é caracterizado pelo diabetes tipo 1 de longa duração.

Anvisa e FDA

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O medicamento já foi aprovado pela FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos, após um estudo publicado no The New England Journal of Medicine, que mostrou que o teplizumabe praticamente dobrou o tempo médio até o diagnóstico clínico em indivíduos com diabetes tipo 1 estágio 2. Essa é a primeira terapia capaz de modificar a história natural do diabetes tipo 1, ao atrasar a progressão da doença.

“A notícia é muito importante porque, pela primeira vez, a medicina terá uma terapia capaz de interferir diretamente no processo imunológico que leva à destruição das células beta do pâncreas, antes mesmo do surgimento dos sintomas clínicos do diabetes”, detalha. Pesquisas mostram que ele consegue retardar o aparecimento do diabetes, em média, em dois anos.

Atualmente o diagnóstico da DM1 normalmente ocorre de forma traumática, com a pessoa chegando ao hospital em estado grave, com cetoacidose diabética, uma complicação aguda que pode exigir internação e até cuidados em terapia intensiva. “Quando o diabetes tipo 1 é detectado precocemente e conseguimos retardar sua evolução, as famílias têm tempo para se preparar, receber orientações e aprender como lidar com a doença antes do diagnóstico clínico”, explica a médica. “Para isso, são necessários programas de rastreamento nacionais, que estão sendo elaborados pela Sociedade Brasileira de Diabetes”, finaliza.

Atrasar o aparecimento clínico do diabetes tipo 1 representa um importante avanço e é passo importante para um objetivo maior: um dia, conseguir prevenir completamente o desenvolvimento da doença.


* Com informações da assessoria de imprensa da Sociedade Brasileira de Diabetes/Rose Guirro

Compartilhe