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Giro Saúde Ressecamento, coceira e rachaduras: o que o diabetes faz com a pele

Por Priscila Horvat* A pele seca é uma queixa frequente entre pessoas com diabetes. Muitas vezes, o problema começa com uma sensação de repuxamento, descamação ou até […]

Momento Diabetes | 02/10/2026

Por Priscila Horvat*

A pele seca é uma queixa frequente entre pessoas com diabetes. Muitas vezes, o problema começa com uma sensação de repuxamento, descamação ou até mesmo uma simples coceira, mas pode evoluir para rachaduras, especialmente nos pés. Embora pareça uma alteração simples, o ressecamento da pele merece atenção, pois pode abrir caminho e ser uma porta de entrada para infecções e outras complicações.

Estar de olho em como está a pele não é frescura: a relação entre diabetes e pele ressecada pode ser consequência de uma combinação de fatores, como glicemia elevada, deficiência ou ação inadequada da insulina, alterações na circulação sanguínea e até danos nos nervos periféricos.

O que acontece com a pele de quem tem diabetes?

Pessoas com diabetes já apresentam maior risco de infecções devido às alterações imunológicas associadas à doença. Foto: Vecteezy

Pessoas com diabetes já apresentam maior risco de infecções devido às alterações imunológicas associadas à doença. Foto: Vecteezy

Quando os níveis de glicose permanecem elevados por longos períodos, o organismo tenta eliminar o excesso de açúcar pela urina. Esse processo leva à perda de líquidos e, por consequência, leva à desidratação, afetando diretamente a camada natural protetora da pele.

Além disso, a hiperglicemia pode comprometer pequenos vasos sanguíneos responsáveis por levar oxigênio e nutrientes para os tecidos. Um exemplo de como é esse funcionamento é uma plantação que é frequentemente regada. Nesse comparativo, a pele é o solo. Com menos irrigação, ela tem mais dificuldade para se manter saudável e para se regenerar adequadamente. É o que acontece com a pele.

De acordo com o Centro de Diabetes Curitiba, alterações na circulação e na produção de suor também contribuem para o ressecamento, especialmente em regiões como pernas e pés.

O papel dos nervos

Outro fator importante é a neuropatia diabética, uma complicação que afeta os nervos periféricos. Segundo o Departamento de Atenção Primária em Saúde do Ministério da Saúde, quando os nervos responsáveis pelo funcionamento das glândulas sudoríparas são comprometidos, a produção de suor diminui. Como o suor ajuda a manter a hidratação da pele, essa redução favorece a pele excessivamente seca.

Essa condição é particularmente comum nos pés e nas pernas, regiões que frequentemente apresentam descamação, aspereza e rachaduras naturalmente, independente da pessoa viver ou não com diabetes. Mas, no caso de pacientes, a situação tende a piorar.

Um problema além da estética

A pele é o maior órgão do corpo humano. Por isso, estar com a pele ressecada tem um peso estético, já que visualmente, ela fica opaca, ressecada. Mas o problema vai muito além de estar com o visual bonito. Essa situação, quando não tratada, pode evoluir para fissuras e pequenas feridas que facilitam a entrada de bactérias e fungos.

Pessoas com diabetes já apresentam maior risco de infecções devido às alterações imunológicas associadas à doença. Por isso, micoses, frieiras e infecções bacterianas podem surgir com mais facilidade quando a barreira protetora da pele está comprometida. Além disso, a xerose pode estar associada a complicações microvasculares do diabetes, como neuropatia e retinopatia, reforçando a necessidade de acompanhamento médico regular.

Como proteger a pele

O primeiro passo para manter a pele saudável é controlar a glicemia de forma correta. Quanto melhor estiver o controle, menor tende a ser o impacto na pele. Mas, no dia a dia, algumas medidas simples podem fazer diferença, conforme orienta o Ministério da Saúde:

  • Beber água regularmente para evitar a desidratação;
  • Utilizar hidratantes ou emolientes após o banho;
  • Dar preferência a sabonetes suaves e sem fragrâncias;
  • Evitar banhos muito quentes;
  • Secar cuidadosamente a pele, especialmente entre os dedos dos pés;
  • Inspecionar diariamente os pés em busca de rachaduras, feridas ou alterações na pele;
  • Procurar orientação médica diante de qualquer lesão que demore demais a cicatrizar.

O cuidado com o diabetes vai muito além dos números no glicosímetro. A pele, assim como outros fatores, precisa de cuidado. A hidratação adequada ajuda a preservar a barreira de proteção natural do organismo, reduz o risco de rachaduras e contribui para prevenir infecções. Por isso, controlar o diabetes e cuidar da pele devem caminhar juntos. Afinal, uma pele saudável não é apenas uma questão de conforto ou estética: é também uma importante aliada na prevenção de complicações.


* Priscila Horvat é jornalista com foco em saúde e integra a equipe da Momento Diabetes.

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