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Hora do Treino e Comportamento Os benefícios da atividade física na água

***Texto escrito pela Letícia Martins, diretora de redação da revista Momento Diabetes, e publicado na edição 15. Eu sei, eu sei. Nos dias quentes dá aquela moleza de ir […]

Letícia Martins | 12/01/2022

***Texto escrito pela Letícia Martins, diretora de redação da revista Momento Diabetes, e publicado na edição 15.

Eu sei, eu sei. Nos dias quentes dá aquela moleza de ir para a academia. No Brasil, ainda tem outra questão: o verão coincide com as férias e as festas de fim de ano. Aí, parece – só parece? – que ficamos mais preguiçosos, querendo sombra e água fresca. Mas sinto muito em informar que a estação das altas temperaturas não serve como desculpa para deixar de se exercitar, principalmente por que a atividade física é um importante aliado no combate ao diabetes, uma vez que facilita a ação da insulina no organismo, favorecendo o controle da glicemia.

“Para quem não curte a parte seca das academias (ginástica e musculação, por exemplo), a parte molhada (natação e hidroginástica) é excelente opção para você conseguir mais qualidade de vida e consequentemente ajudar a perder peso”, sugere o educador físico Jefferson Diniz.

Ele destaca uma premissa valiosa quando o assunto é atividade física: o melhor exercício é aquele que te dá mais prazer. Logo, se você ainda não encontrou a paixão pelo esporte, vale testar várias modalidades.

“Existem muitas opções na parte molhada da academia, como a hidrobike, o mini trampolim, a esteira para água, o pole dance aquático, o saco de pancada para piscina, entre outros. Com todas essas possibilidades ainda é possível criar uma aula de circuito de cross training. Enfim, dá para ter uma academia completa dentro d’água”, afirma o treinador físico. Pelas normas do Colégio Americano de Medicina do Esporte, o ideal é treinar no mínimo 30 minutos por dia cinco vezes por semana e no máximo uma hora por dia durante três vezes por semana.

Os exercícios feitos na água, como hidroginástica e natação, até podem ter o mesmo efeito no controle glicêmico que uma caminhada ou uma corrida, mas tudo vai depender da intensidade e do tempo. “Para obter mudanças no controle da glicemia com a hidroginástica, por exemplo, são precisos pelo menos 45 minutos por dia de hidroginástica duas vezes por semana”, calcula Jefferson Diniz.

Antes de cair na água pela primeira vez, faça uma avaliação individual com um profissional de educação física e converse com ele sobre o melhor esquema de treino para o seu perfil e o seu momento. Só não deixe de experimentar as vantagens das modalidades aquáticas. Uma delas é não gerar impacto nas articulações, como os exercícios em solo provocam.

Sem falar que a natação é um dos melhores métodos de queima de calorias, manutenção e controle do peso e exige bastante disciplina, fôlego e movimento do corpo. Em outras palavras, nadar é uma atividade completa, capaz de:

• fortalecer os músculos e articulações do corpo,
• prevenir o aparecimento de lesões,
• aliviar as dores causadas pela artrite,
• evitar a perda óssea,
• diminuir o risco de doenças, como hipertensão, e auxiliar no controle glicêmico.

A prática de atividades na água faz o corpo liberar os famosos hormônios do bem-estar, chamados endorfinas. Ou seja, você sairá da piscina com a agradável sensação de relaxamento e dever cumprido, além de ficar com a saúde em dia.

Cuidado nunca é demais

É sempre bom destacar que ter diabetes não é impedimento para praticar esportes, seja no solo ou na água. Pelo contrário, atividade física regular deve fazer parte do tratamento de todas as pessoas com diabetes, mas é imprescindível monitorar a glicemia antes de entrar na piscina.

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que o açúcar no sangue fique em torno de 90 mg/dL a 250 mg/dL durante o exercício para evitar uma crise de hipoglicemia. “E a qualquer sinal de desconforto é importante sair da piscina o quanto antes”, alerta Jefferson.

Outro cuidado é conhecer bem a insulina utilizada, para evitar se exercitar durante o pico de ação dela. Isso porque o hormônio, somado aos efeitos da atividade física, pode causar uma hipoglicemia. Em alguns casos, os médicos recomendam a redução da dose na refeição anterior ao treino.

Falando em risco, há um que eu desejo para você: o risco de se apaixonar por algum esporte aquático, como aconteceu com a funcionária pública Nábilla Borine Calçada, de 28 anos. “Sou apaixonada por água desde criança, mas nunca levei a natação muito a sério. No entanto, desde que coloquei a bomba de insulina voltei a praticar e incluí o esporte no meu tratamento”, conta a jovem, que tem diabetes tipo 1 (DM1) desde os seis anos de idade.

Nábilla nada de três a quatro vezes por semana. “O treino regular acontece toda segunda, quarta e sexta. Mas quando dá vontade, vou no sábado também”, diz. Hoje, além das aulas semanais, ela se aventura em travessias no mar e conquistou o terceiro lugar na primeira competição em que participou. “Percebi que poderia me dedicar mais até conseguir a primeira posição. Desde então, meus treinos ficaram mais intensos. Ano passado consegui o primeiro lugar na minha categoria no ranking anual, que somatiza os pontos durante as seis provas feitas durante o ano. Foi um grande desafio, que me deixou muito feliz”, comemora.

Desafio na água e nos exames. De uma forma geral, a natação ajuda Nábilla no controle glicêmico, reduzindo as doses basais de insulina. Por outro lado, como ela faz treinos mais pesados em função das competições, a glicemia tende a subir muito depois dos exercícios. “Assim, preciso programar a bomba para aumentar a basal de forma temporária e aplicar correções logo após o treino. Geralmente entro na piscina com a glicemia entre 150 e 170 mg/dL e saio com ela entre 90 e 120 mg/dL, dependendo da intensidade do treino. Se em meia hora após terminar eu não programar a bomba com 200% de basal temporário, terei uma hiper com certeza”, explica Nábilla, que fez direitinho a lição de casa e aprendeu com a equipe médica como lidar com as particularidades do tratamento do diabetes de acordo com o esporte que ela escolheu.

Aquecimento sempre é bom

Para quem pretende trocar a terra firme por uma piscina, também é fundamental se aquecer antes, isto é, preparar o corpo e a mente para a atividade proposta. O ideal é estar acompanhado de um profissional de educação física para ser bem orientado.

Escolher a vestimenta e acessórios certos colabora para um treino aquático mais confortável e seguro. Segundo Diniz, no caso da hidroginástica, principalmente para pessoas de mais idade, existem sapatilhas antiderrapantes que evitam escorregões e quedas.

Vale usar uma touca de silicone ou de lycra para que os cabelos não atrapalhem os exercícios. A touca de silicone costuma esquentar e apertar mais a cabeça do que a de lycra. As mulheres devem tomar cuidado na escolha do maiô, para que a alça não incomode a região do pescoço.

Escolheu a modalidade e montou o seu kit? Então, aproveite o clima de verão e “bora” malhar essa glicemia, ops, esse corpinho.

Fonte: Revista Momento Diabetes nº 15. Confira na nossa loja virtual.

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