Por redação*
Entre os dias 1º e 3 de junho, Foz do Iguaçu (PR) será palco de eventos para debater sobre obesidade, diabetes e doença renal crônica, três condições diretamente relacionadas e que representam um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. Promovidos pelo Vozes do Advocacy em parceria com associações e instituições de saúde, os encontros vão reunir especialistas, gestores públicos, representantes do Ministério da Saúde e organizações da sociedade civil para discutir prevenção, diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e políticas públicas.
A programação inclui o 4º Fórum Nacional de Políticas Públicas de Obesidade e o 2º Fórum Trinacional da Doença Renal do Diabetes, realizados em diferentes endereços, mas ambos gratuitos e abertos ao público.
Além dos debates sobre a Linha de Cuidado e o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), os eventos também apresentarão uma pesquisa inédita sobre a relação do diabetes com a obesidade, mostrando que a principal causa para o surgimento de complicações do diabetes é a falta de controle da glicemia de médio a longo prazo. A pesquisa, intitulada “Acesso à Tecnologia de Monitorização do Diabetes no Brasil”, teve uma amostra quantitativa com 1.411 pessoas da população adulta (com 18 anos ou mais) com diagnóstico de diabetes.
Os dados revelam que a desigualdade social está estreitamente ligada ao acesso à tecnologia, já que 77,3% das pessoas que utilizam sensor de glicose não apresentam complicações relacionadas ao diabetes. Entre aqueles que nunca utilizaram a tecnologia, o percentual cai para 53,3%. Segundo a pesquisa, usuários atuais de sensores tiveram cerca de 38% menos chance de relatar complicações microvasculares, como retinopatia, doença renal e neuropatia, além de 42% menos complicações macrovasculares, doenças cardiovasculares e amputações.
Atualmente, o país conta com mais de 172 mil pacientes em diálise, sendo 85% atendidos pelo SUS. Desses, 94,6% realizam hemodiálise, segundo o estudo da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 17 milhões de procedimentos renais foram registrados em 2024, com repasse de R$ 4,3 bilhões para estados e municípios.
As doenças renais crônicas são alterações heterogêneas, que afetam tanto a estrutura quanto a função renal, com múltiplas causas e múltiplos fatores de risco. Trata-se de uma doença de curso prolongado, que pode parecer benigna, mas que, muitas vezes, se torna grave e, na maior parte do tempo, tem evolução assintomática. No Brasil, dados de diálise crônica indicam que as taxas de incidência e prevalência da doença crescem de forma acelerada. Esta condição atinge pelo menos 10 milhões de brasileiros, segundo o Protocolo para Atenuar a Progressão da Doença Renal Crônica, atualizado em setembro de 2024.
Relação entre as condições de saúde
O diabetes é a principal causa de doença renal crônica no mundo e a segunda causa de ingresso na terapia renal substitutiva no Brasil. Segundo Terezinha Pinezi, presidente do Instituto dos Diabéticos de Foz do Iguaçu (ADIFI), um dos objetivos do encontro é fortalecer ações de educação em diabetes e ampliar o debate sobre as dificuldades enfrentadas pelos pacientes no acesso ao cuidado adequado.
“A ideia é que possamos construir um programa de educação em diabetes para as pessoas com a condição, para diminuir as complicações renais e que também possamos discutir as lacunas na assistência às pessoas com doenças crônicas e às pessoas com diabetes envolvendo tanto a Atenção Primária à Saúde quanto a atenção especializada, no que diz respeito à carência de medicamentos, exames e consultas especializadas; inexistência de contrarreferência e nefrologista para o acompanhamento dos casos”.
A obesidade também estará no centro das discussões. Segundo a previsão do Atlas da Obesidade 2026 da Federação Mundial de Obesidade (WOF), o número de pessoas com obesidade cresce a cada ano. 20,7% das crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos em todo o planeta vivem com sobrepeso ou obesidade, o equivalente a um em cada cinco, totalizando 419 milhões.
A previsão da Federação Mundial de Obesidade é que, até 2040, o número salte para 507 milhões de crianças e adolescentes no mundo com sobrepeso ou obesidade. Os números revelam que, no Brasil, 6,6 milhões de crianças com idade entre 5 e 9 anos estão com sobrepeso ou obesidade. O número sobe para 9,9 milhões quando consideradas crianças e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos, totalizando 16,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos vivendo com sobrepeso ou obesidade no país.
Vanessa Pirolo, presidente do Vozes do Advocacy, destaca a importância de ampliar o debate sobre acesso ao tratamento e enfrentamento do preconceito. “Temos a oportunidade de mostrar o cenário preocupante da obesidade e das dificuldades de acesso ao tratamento no país, incluindo uma discussão entre os Estados do Paraná, de Pernambuco, da Bahia e do Distrito Federal. Precisamos também falar sobre o estigma e preconceito e trazer todo o impacto que representam para a saúde da pessoa com obesidade, para que possamos implementar políticas públicas, que diminuam estas questões”, afirma.
Impacto financeiro
Vanessa também chama a atenção para o impacto financeiro das complicações renais no sistema público de saúde e reforça a importância do diagnóstico precoce. “O investimento anual do Ministério da Saúde no tratamento de doenças renais alcança cerca de R$ 4 bilhões. Esse montante poderia ser significativamente reduzido por meio de um maior investimento em iniciativas de prevenção e detecção precoce da condição. Por isso, faremos a campanha para sensibilizar a população com diabetes para que possa procurar os serviços de saúde e faça os exames de creatinina e de albuminúria para o diagnóstico precoce, para que possa descobrir a alteração renal no princípio e não precise chegar à hemodiálise”, ressalta.
De acordo com Natasha Rocha de Alencar, vice-presidente do Vozes do Advocacy e presidente da Associação Cearense de Diabéticos de Hipertensos (ACEDH), a inter-relação entre fatores ambientais e a obesidade, que requer uma atenção especial do poder público. “A falta de cuidados com a obesidade nos sistemas de saúde impulsiona as principais doenças não transmissíveis (DCNT), como doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, entre outras. O aumento das taxas de obesidade no país exige atenção dos governos, profissionais de saúde e da sociedade”, afirma.
Os fóruns contarão ainda com representantes do Ministério da Saúde, secretários estaduais e municipais, além de especialistas do Brasil, Paraguai e Argentina. Entre os temas debatidos estão o cenário da obesidade e da doença renal no país, acesso aos exames e tratamentos, prevenção de complicações e fortalecimento das políticas públicas voltadas às doenças crônicas não transmissíveis.
Eventos em Foz do Iguaçu:
PRESENCIAL
4ª EDIÇÃO DO FÓRUM NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE OBESIDADE
DATAS: 01 e 03/06/2026
HORÁRIO: das 9h às 18h
ENDEREÇO: Anfiteatro da Usina de Itaipu, localizado na Av. Tancredo Neves, nº 6731, no bairro Jardim Itaipu
CIDADE: Foz do Iguaçu (PR)
REALIZAÇÃO: Vozes do Advocacy e ACEDH
PRESENCIAL
2º FÓRUM TRINACIONAL DA DOENÇA RENAL DO DIABETES
DATAS: 02 e 03/06/2026
HORÁRIO: das 9h às 18h
ENDEREÇO: Anfiteatro da Usina de Itaipu, localizado na Av. Tancredo Neves, nº 6731, no bairro Jardim Itaipu; e sede do Instituto ADIFI, localizada na Av. Eng. Hildemar Leite França, nº 278, no bairro Itaipu A
CIDADE: Foz do Iguaçu (PR)
REALIZAÇÃO: Vozes do Advocacy e Instituto ADIFI
* Com informações da assessoria de imprensa do Vozes do Advocacy