A medicina não seria a mesma sem os voluntários. Entenda por que participar de estudos clínicos pode melhorar a sua saúde e a de inúmeros pacientes

Por Letícia Martins | Fotos: Freepik (home) e Letícia Martins (matéria)

Cobaias? De jeito nenhum! Quem participa de uma pesquisa clínica pode se considerar um privilegiado, pois está fazendo parte do desenvolvimento de novos medicamentos e terapias que poderão mudar a vida de muitas pessoas. Sem os voluntários, a medicina não teria evoluído tanto, afinal para que uma droga seja comercializada no país, os testes com seres humanos são indispensáveis. “Não existe nenhum procedimento ou medicamento novo que se torne disponível no mercado se não for testado antes em pacientes quanto à sua eficácia e segurança”, explica o endocrinologista Freddy Goldberg Eliaschewitz (foto), fundador e um dos diretores do Centro de Pesquisas Clínicas (CPClin), em São Paulo (SP), que dispõe de 40 profissionais, sendo 17 médicos de diversas especialidades.

Vários dos remédios modernos para tratar o diabetes que encontramos hoje nas farmácias foram desenvolvidos lá, entre eles, o Januvia, o Jardiance, o Forxiga e a insulina Lantus. Recentemente, o CPClin, que é referência no mundo, com mais de 60 trabalhos científicos publicados em revistas internacionais de alto nível, inaugurou uma sede em São Paulo toda adaptada para o desenvolvimento de pesquisas.

Durante o período de testes, os voluntários são acompanhados por uma equipe de pesquisadores e médicos especialistas na área, recebem todos os insumos e medicamentos necessários e realizam exames periodicamente. Tudo é feito às claras e nenhum paciente entra no estudo sem saber os detalhes dele.  Por essa e outras razões, comparar um voluntário de pesquisas com cobaia não faz sentido, pois um animal de laboratório não tem autonomia para decidir se vai participar ou não do estudo.

No Brasil não é permitido pagar para um paciente participar de pesquisas clínicas. O ato deve ser totalmente voluntário, mas o centro de pesquisas arca com todos os medicamentos, insumos e exames e alguns custos, como transportes, dependendo do caso. O paciente aceita colaborar porque tem esperança que o novo tratamento seja melhor que os atuais, ou porque quer contribuir com o avanço da ciência ou, ainda, porque as alternativas de tratamento que estão sendo estudadas são melhores que os medicamentos tradicionais para a doença dele. “Isso é muito comum em câncer, em que os novos tratamentos experimentais, que estão em fase de teste, têm resultados muito melhores que os já existentes”, exemplifica Dr. Freddy.

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CENTROS DE PESQUISAS

Além do CPClin, há outros centros de pesquisas reconhecidos no Brasil, como o Centro de Diabetes Curitiba (CDC), que desenvolve um trabalho muito bonito no Hospital Nossa Senhora das Graças, na capital paranaense.

Apesar das vantagens de participar de um estudo clínico, os centros de pesquisas podem ter dificuldade de conseguir pacientes dentro do perfil específico daquele protocolo. Por isso, se você tem diabetes ou conhece alguém que tem, fale sobre essa possibilidade. “Se ninguém for voluntário de pesquisa não haverá tratamento novo para ninguém”, declara Dr. Freddy. Veja abaixo os contatos dos centros citados na matéria.

PARTICIPE! SEJA VOLUNTÁRIO

Veja abaixo os contatos de 04 centros de pesquisas clínicas no Brasil capacitados para receber pacientes com diabetes:

1) Centro de Pesquisas Clínicas (CPClin)
São Paulo/SP
Cadastre-se no site www.cpclin.com.br
Ou por telefone (11) 2711-0298

Estudos sobre:

  • Artrite reumatoide;
  • Artrite psoriática;
  • Asma;
  • Diabetes tipo 2 em crianças e jovens até 18 anos;
  • Diabetes tipo 2 com risco cardiovascular;
  • Insuficiência cardíaca congestiva (ICC);
  • Insuficiência renal ligada ao diabetes;
  • Lúpus;
  • Obesidade com risco cardiovascular;
  • Dislipidemia (intolerância a estatinas);
  • Doença pulmonar crônica;
  • Dor neuropática.

2) Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto – USP
Transplante de Células-Tronco
Entre em contato pelo e-mail ce.couri@yahoo.com.br
Outras informações: http://carloseduardocouri.blogspot.com/

Para ser voluntários são necessários preencher inúmeros critérios de inclusão, sendo que os iniciais são: idade entre 18 e 35 anos e ter diabetes tipo 1 há menos de 6 semanas.

3) Centro de Diabetes Curitiba (CDC)
Cadastre-se no site: http://www.centrodediabetescuritiba.com.br/cadastro-de-pacientes/

Estudos para:

  • Avaliar a eficácia e segurança do vadadustate oral para o tratamento de manutenção de anemia em participantes com doença renal crônica não dependente de diálise.
    Participantes do sexo masculino ou feminino, de qualquer origem étnica, com 18 anos de idade ou mais. Podem ter diabetes tipo 1 e 2 ou não;
  • Determinar a eficácia e a segurança no tratamento de síndromes de dor neuropática. Participantes do sexo masculino ou feminino, de qualquer origem étnica, com 18 anos de idade ou mais;
  • Avaliar a segurança e eficácia de dapagliflozina 5 e 10 mg e de saxagliptina 2,5 e 5 mg em pacientes pediátricos com diabetes mellitus tipo 2 que tenham entre 10 e menos de 18 anos de idade;
  • Avaliar a eficácia e a segurança de canagliflozina em crianças e adolescentes com idade entre 10 e 18 anos e com diabetes tipo 2.

4) CCBR Brasil
Rio de Janeiro/RJ
Informações pelo site: www.ccbrbrasil.com
Ou por telefone (21) 2527-7979

Estudos sobre:

  • Intolerância às estatinas (dor muscular intensa nos braços e ou pernas);
  • Doença cardiovascular ou alto risco de doença cardiovascular (infarto, AVC, diabetes etc). O objetivo do estudo clínico é analisar se o medicamento da pesquisa reduz o risco de eventos cardiovasculares. O estudo também observará a segurança do medicamento da pesquisa e a redução do colesterol;
  • Redução do excesso de triglicerídeos a fim de evitar o risco de doença cardiovascular, como infarto e AVC (acidente vascular cerebral).Perfil dos voluntários:
    – Ser homem com mais de 50 anos ou mulher com mais de 55 anos;
    – Ter diabetes tipo 2;
    – Estar em um tratamento estável com medicamento para baixar o colesterol ou ser intolerante a este tipo de medicamento.
  • Dermatite atópica. Perfil dos voluntários:
    – Paciente diagnosticado com dermatite atópica de moderada a grave;
    – Paciente com dificuldade para controlar a dermatite atópica apesar dos tratamentos tópicos (cremes, loções etc.);
    – Tiver pelo menos 18 anos de idade.

Fonte: Revista Momento Diabetes nº 15 e centros citados na matéria.