Por Bianca Fiori
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Para muitas pessoas, entre as quais eu me incluo, uma das piores coisas do diabetes é ter que tomar as injeções de insulina.

A gente até se acostuma com o tempo e atualmente as agulhas e seringas são bem pequenas e finas, praticamente indolores. Existem tecnologias muito práticas, como a bomba de infusão e acessórios que necessitam ser trocados apenas a cada três dias, diminuindo drasticamente as picadas. Mas mesmo assim, ter que se “furar” constantemente não é nada legal.

A boa nova é que pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, o Hospital Brigham and Women e a Novo Nordisk estão desenvolvendo uma pílula de insulina inspirada no casco da tartaruga. A pílula é aproximadamente do tamanho de uma jabuticaba e contém uma pequena agulha feita de insulina. Uma vez que o comprimido atinge o estômago, ajusta sua orientação para garantir o contato com o tecido do estômago antes de injetar o medicamento. Em testes em ratos e porcos, a droga reduziu com sucesso o nível de açúcar no sangue para níveis semelhantes aos observados com as injeções de insulina. A equipe relatou os resultados na revista científica Scienc.

O trato gastrointestinal não é um local ideal para o processamento de medicamentos de moléculas grandes, pois é ácido e cheio de microbioma e enzimas digestivas que podem atacar e degradar as proteínas. Além disso, as espessas camadas de muco e a parede celular densa do próprio trato intestinal dificultam a passagem de drogas baseadas em proteínas. Por causa desses desafios, tentativas anteriores de plataformas de insulina de moléculas grandes baseadas em via oral, só conseguiram entregar 1% da droga em circulação, de acordo com os pesquisadores.  Os cientistas enfrentaram um grande desafio: eles precisavam garantir que o injetor não falhasse. Então, eles analisaram a tartaruga leopardo para se inspirar. A tartaruga tem uma estrutura corporal que permite virar quando cai de costas. Usando modelagem por computador, os cientistas projetaram uma pílula com uma forma semelhante. É assim que a pílula pode se reorientar, de modo que está sempre na posição correta.

“Estamos realmente esperançosos de que este novo tipo de cápsula possa algum dia ajudar os pacientes diabéticos e talvez qualquer pessoa que necessite de terapias que agora só podem ser administradas por injeção ou infusão”, disse Robert Langer, co-autor sênior do estudo.

Fonte: FierceBiotech