Piscina, praia, academia, ciclovia, pista e rua são alguns dos lugares onde o paulistano David Nascimento Pedroso, de 33 anos, gosta de estar, de trabalhar, de se divertir e de treinar. “Faço natação, musculação, corrida e pedalo. Pratico atividades físicas para obter um melhor controle glicêmico”, conta o bombeiro civil, que descobriu o diabetes tipo 1 em 2006.

Que ele é um apaixonado pela água e pela malhação, nós já percebemos, mas o interessante é que até os 21 anos David nem sabia nadar. “Na época do diagnóstico do diabetes ouvi de todos os profissionais de saúde com quem me consultei que eu precisava ir para a academia, fazer caminhadas e outros exercícios. Aceitei fazer o que os médicos diziam, mas não conseguia me adaptar e interrompia as atividades. Começa e parava toda hora e isso não foi nada benéfico para minha saúde”, confessa. Essas idas e vindas duraram quase cinco anos. “Um dia, estava passeando de escuna com alguns amigos em Búzios, litoral do Rio de Janeiro, até que todos pularam no mar e nadaram até a ilha. Todos menos eu. Isso me frustrou e decidi, naquele momento, que queria aprender a nadar”, relembra.

Mas entre o querer e o fazer há uma distância gigantesca se não houver ação, iniciativa e força de vontade. Passou novamente um tempo até que David, questionado por um médico, resolveu se matricular em uma academia de natação. “A natação mudou muito minha vida. Hoje treino duas vezes por semana e trabalho como salva-vidas por gostar tanto de estar na água, ter um preparo físico adequado e saber as técnicas de salvamento”, comemora.

Neste esporte, a queima calórica é enorme, o que pode causar alguns problemas se o nadador não estiver preparado. Por isso, antes de entrar na piscina ou no mar, David alimenta-se de carboidratos, como tapioca e pão francês com manteiga ou requeijão, e come uma banana ou maçã. “E o mais essencial: faço o dextro antes e depois do treino. Quando estou com o sensor Libre verifico a glicemia durante também. Aplico a insulina ultrarrápida conforme minha alimentação”, conta.

Ciente de que a glicemia pode baixar enquanto nada, ele costuma deixar na borda da piscina uma barrinha de cereal ou gel de glicose. “Já passei mal algumas vezes, mas dificilmente tenho uma hipo ou hiperglicemia porque tomo esses cuidados”, diz. Se sentir que está em hipo, ele ingere o carboidrato que é rápida absorção e espera um pouco até voltar ao normal. “Se for necessário, saio da piscina e vou para o vestiário terminar o meu treino com segurança.”

Por falar em segurança, o nadador não esconde de ninguém que tem diabetes, pois caso algo mais grave aconteça, quem está por perto poderá ajudar. Além disso, na piscina, ele aprendeu não só a dar braçadas na água, mas a superar a vergonha de aplicar insulina perto de outras pessoas e sofrer preconceito. “No começo eu não aplicava insulina e nem media a glicemia na frente de ninguém. Agora, não sofro mais com isso. Faço tudo que um diabético precisa fazer na frente de todos sem nenhum preconceito ou vergonha.

Atleta da água

David já participou de muitos campeonatos e maratonas aquáticas de até 5 km nadando no mar. Elas renderam muitas medalhas e alguns troféus, mas a maior recompensa foi alcançar um controle glicêmico melhor. Grato pelas conquistas que o esporte lhe proporcionou, David tatuou no braço o desenho de um nadador, inspiração em um dos troféus que levou para casa.

“Nadar no mar não tem preço. Traz uma sensação de liberdade, onde seu único oponente é você mesmo. Aos olhos dos outros, tenho uma doença crônica que me impede de fazer tudo, mas isso não é realidade. Saio do mar realizado com mais uma conquista e com a certeza de que o diabetes não me impede e não me limita em nada”, declara.

Embora saiba do tamanho do desafio, o jovem bombeiro pretende participar de uma das competições mais exigentes do mundo: o iron man. Nela, os atletas precisam nadar 3,8 km, pedalar 180 km e correr 42 km no mesmo dia, sem intervalos. “Apesar dessa prova ser algo muito difícil, não acho que seja impossível, mesmo para uma pessoa na minha condição de saúde. Aliás, é justamente o diabetes que me impulsiona a querer me tornar um iron man”, afirma David, que está estudando psicologia para equilibrar corpo e mente. “Se não estamos com a mente sã, nada em nosso corpo funciona regulamente.”