Camila Morais (à direita na foto) e a chefe Rosilene Sanzon: aplicar insulina durante o expediente não é nenhum problema

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A maioria das pessoas passa boa parte da semana no trabalho, convivendo com profissionais de culturas diferentes, que nem sempre se tornam amigos íntimos. Assim, revelar que se tem diabetes para os superiores e colegas, pelo menos os mais próximos, pode não ser uma tarefa fácil para todo mundo, mas é, sem dúvida, muito importante, pois eles podem prestar o devido socorro no caso de uma hipoglicemia, além de evitar constrangimento para todas as partes.

Camila Morais da Costa, de Blumenau (SC) tem 27 anos e diabetes tipo 1 há vinte. Desde o diagnóstico, ela utiliza seringa e não se incomoda com os olhares alheios quando precisa aplicar insulina em locais como restaurante ou shopping. No trabalho, a jovem segue um ritual. “Às 7h30 já estou na empresa e aplico ali mesmo, na minha mesa. Todos os meus colegas sabem que tenho diabetes, pois já tive hipoglicemia lá. Comecei a tremer, minha visão ficou embaçada e não tinha forças para sair do lugar. Precisei de ajuda para voltar ao normal. Por esta razão, não gosto de esconder de ninguém que sou diabética e sempre ando com minha receita na bolsa”, diz a jovem.

Ela conta também com a compreensão da gerente administrativa Rosilene Sanzon, que coordena uma equipe de seis funcionários, da qual Camila é a única que tem diabetes. Antes de conhecê-la, há pouco mais de três anos, Rosilene nunca havia trabalhado com pessoas que precisavam aplicar insulina ou corrigir uma hipoglicemia durante o expediente. “Por isso, minha preocupação no início era o que fazer caso a Camila passasse mal na empresa”, revela. “Mas com o tempo e o conhecimento que adquiri sobre o assunto, vindo da própria Camila, notei que aplicar insulina é algo natural para ela e agora sabemos como agir se algum imprevisto acontecer”.

Infelizmente, nem todos os chefes e empregadores têm esse entendimento. A assistente de atendimento Elídia Cristina Barrena, moradora de Catanduva, no interior paulista, tem 51 anos, diabetes tipo 2 há duas décadas e algumas experiências negativas no currículo. “Já perdi uma oportunidade de trabalho, porque a pessoa perguntou se eu tinha alguma doença e eu falei sobre o diabetes tipo 2. Acredito que foi isso, pois a entrevista estava indo bem até aquele momento”, analisa.

Cristina também utiliza seringa e faz a aplicação onde estiver: no restaurante, na praça, no shopping e até no ônibus, mesmo sabendo que terá que lidar com a reação dos outros. “Muitas pessoas ficam me olhando de forma diferente quando tiro da bolsa o aparelho de medir a glicemia, a insulina e a seringa. Algumas até cochicham e apontam na minha direção, mas eu não posso deixar de me cuidar por causa delas. Minha saúde vem em primeiro lugar”, relata. “Acho que falta mais informação para a população em geral, pois ninguém deveria se sentir constrangido por ter diabetes ou qualquer outra doença.”

Dicas práticas
Além de contar aos companheiros de trabalho que você tem diabetes e como é o seu tratamento, explique também quais sintomas costuma ter quando está com hipoglicemia. Desta forma, eles podem ajudá-lo numa emergência.

É fundamental explicar que 15 g de carboidratos simples aumentam a glicemia em até 10 minutos. Sendo assim, nessas situações, eles devem oferecer a você uma das opções a seguir: um copo de água com açúcar, suco de laranja, refrigerante normal ou uma colher (sopa) de mel.

 

Uma seringa, duas insulinas
A catarinense Camila Morais já experimentou todos os tipos de caneta, mas prefere utilizar a seringa com agulha de 6 milímetros. “Desde criança, quando descobri o diabetes, a seringa sempre esteve do meu lado como única opção de tratamento. Gosto de usá-la, por achar mais fácil fazer a mistura das insulinas NPH e regular ou ultrarrápida”, declara. 

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(fotos: Wagner Figueiredo Fotografia)