Tratar o diabetes nunca foi uma tarefa fácil, mas a tecnologia evolui a cada dia, facilitando a vida de muitos pacientes. Inúmeros estudos, terapias, produtos e sistemas são desenvolvidos a todo momento e nós fomos até a capital da Áustria para conhecer os mais promissores

Por Bianca Fiori

Em fevereiro de 2018, aconteceu em Viena, na Áustria, a 11ª edição do maior congresso do mundo na área de tecnologia avançada no tratamento do diabetes, o ATTD. Nossa equipe acompanhou os quatro dias de evento e se surpreendeu com as novidades vistas lá, entre elas os sensores de glicose,

Libre, Guardian, Eversense e Dexcom. Todos eles são sensores de glicose, que fazem o monitoramento da glicemia através do líquido intersticial, que está presente no tecido, sob a pele. Ou seja, em vez de tirar uma gotinha de sangue da ponta do dedo para medir a glicose, o paciente instala um sensor no corpo que se comunica com um aparelho que informa os valores glicêmicos continuamente. “A glicose é absorvida primeiramente pelo intestino, depois ela cai no sangue e em seguida no interstício. Por isso, há uma pequena diferença entre esses valores e usa-se a ponta de dedo para calibrar o sensor”, explica a endocrinologista Denise Reis Franco, membro da Sociedade Brasileira do Diabetes (SBD).

 Este conteúdo faz parte da matéria de capa da revista MOMENTO DIABETES Nº 10 (abril/maio/2018). Para adquirir a revista e ler a reportagem completa sobre o congresso, CLIQUE AQUI.

Os estudos apresentados no ATTD mostraram como essas tecnologias estão cada vez mais confiáveis e menos invasivas e ajudam o paciente a ter mais controle sobre o diabetes, pois ele pode acompanhar o sobe e desce do açúcar ao longo do dia sem ter que furar o dedo sempre. Saber como a glicose está o tempo todo é a grande chave para ter o diabetes controlado. Manter a glicemia na meta é mais importante do que uma boa hemoglobina glicada, que é a média dos últimos três meses de glicemia”, diz Denise. Ela esclarece que, muitas vezes, uma hemoglobina glicada dentro da faixa pode ocorrer devido a vários episódios de hipoglicemia e não porque o paciente realmente está com a taxa de açúcar no sangue sob controle.

Sabendo disso, a indústria farmacêutica tem investido cada vez mais neste tipo de tecnologia. No Brasil, por enquanto, há apenas dois tipos de sensores. Um deles é o Enlite, da Medtronic, que dura seis dias. Trata-se de um sistema de Monitoramento Contínuo da Glicose (CGM, na sigla em inglês), que se comunica com a bomba de infusão de insulina tomando importantes atitudes, como desligar 30 minutos antes de uma hipoglicemia (no caso do modelo 640 G) ou desligar quando o paciente já está com hipo (no caso da bomba VEO).

O outro sensor é o Libre, da Abbott, também chamado de monitorização flash, que é instalado no corpo do usuário e dura 14 dias. Ele não se comunica com nenhuma bomba de insulina. Para fazer o monitoramento, basta passar o leitor por cima do dispositivo e a medida aparece na tela.

Agora que você está por dentro do que existe no mercado nacional, vamos às novidades!

Eversense

Um novo medidor de glicemia que dura 180 dias (o dobro da primeira versão) causou alvoroço entre os participantes do ATTD. O Eversense, da Sensonics, é um pequeno filamento colocado sob a pele do braço através de uma microcirurgia rápida e segura, que utiliza anestesia local e pode ser realizada no consultório médico. Durante o congresso, nossa equipe assistiu a uma demonstração da instalação do sensor em um boneco, que levou em média de 10 a 15 minutos.

Depois de implantado, um transmissor é fixado no braço por meio de um adesivo e o sistema começa a funcionar 24 horas depois. Ele precisa ser calibrado duas vezes ao dia e o adesivo trocado diariamente. Isso, segundo o fabricante, provoca menos alergia. A retirada do produto também deve ser realizada no consultório pelo médico. O Eversense será comercializado no Brasil pela Roche, mas ainda não há previsão de chegada.

Libre

A Abbott apresentou muitas novidades bacanas relacionadas ao sensor Libre:

  • LibreLink: um aplicativo para celular que permite que o aparelho escaneie o sensor sem a necessidade do leitor.
  • LibreView: todas as informações escaneadas pelo celular são automaticamente enviadas para uma plataforma online (nuvem), que faz a análise das medições por meio de gráficos e tabelas.
  • LinkUp: novidade que os pais vão adorar. O aplicativo permite que pessoas autorizadas acompanhem à distância e em tempo real, através do celular, a glicose captada com o LibreLink do paciente.

Dexcom G6 

Infelizmente, este sensor ainda não existe no Brasil, mas a expectativa é chegar em breve. A primeira geração do dispositivo, que deve ser lançado ainda este ano nos Estados Unidos, vai precisar apenas de uma calibração diária. Porém, a partir da segunda geração, prevista para 2020, a promessa é que o produto não necessitará mais de calibração, ou seja, sem picadinhas na ponta do dedo.

Além da plataforma IOS, o Dexcom G6 irá se comunicar ainda com celulares Android e smartwatchs, como o Fitbit, muito conhecido por quem pratica atividade física, e com as bombas de insulina T Slim X2 e Omnipod.

A durabilidade do sensor continua sendo de dez dias, assim como seu antecessor, o G5. Ele também possui alertas para previsões de hiperglicemia e hipoglicemia e uma acurácia em relação à ponta de dedo de 8,8%.

Guardian Connect  

O Guardian Connect, da Medtronic, ganha destaque por ser um sensor independente da bomba de infusão. Ou seja, quem aplica insulina com seringa ou caneta também pode usá-lo.

O sistema tem três componentes: o sensor de glicose Enlite, um transmissor de conexão do Guardian e o aplicativo Guardian Connect para smartphone.

Assim como os sensores da marca que se comunicam com as bombas de infusão da Medtronic, o Connect também apresenta as setas de tendência, que indicam se a glicose está subindo, estável ou descendo. Quando a glicose atinge um limite alto ou baixo demais, ele soa um alarme. Além do paciente, outras pessoas podem ser notificadas automaticamente por meio de mensagens de texto sobre os níveis de glicose ou visualizar os valores através do site CareLink. O transmissor é recarregável e tem um tempo de vida de um ano. Segundo o fabricante, o produto virá para o Brasil, mas sem previsão de data.

 Este conteúdo faz parte da matéria de capa da revista MOMENTO DIABETES Nº 10 (abril/maio/2018). Para adquirir a revista e ler a reportagem completa sobre o congresso, CLIQUE AQUI.