Quem tem diabetes pode tomar a vacina contra febre amarela desde que não existam outras contraindicações, como alergia a componentes da vacina ou doença febril aguda grave. Esta é a orientação da SBD divulgada no dia 16 de janeiro. Pessoas com mais de 60 anos ou com a glicemia instável, no entanto, devem procurar o médico antes de se vacinarem.

A Momento Diabetes entrevistou a Dra. Marcia Yamamura, médica pediatra, com especialização em infectologia pediátrica, professora da Escola Paulista de Medicina, sobre algumas dúvidas pontuais dos nossos leitores. Confira:

1) Quem tem diabetes corre algum risco ao tomar a vacina contra a febre amarela?
A vacinação em pacientes diabéticos não tem risco, desde que sejam respeitadas as contraindicações, por exemplo, alergia a componentes da vacina ou doença febril aguda grave. Não se considera o diabético desaconselhável a nenhuma vacina, respeitando suas indicações de acordo com cada faixa etária e condição do paciente.

2) Crianças com diabetes devem tomar algum cuidado específico? O controle da glicemia é um fator de relevância nesta situação?
Crianças devem respeitar as contraindicações para não receber a vacina da febre amarela. A glicemia instável não contraindica a vacinação, porém, alterações no sistema imunológico sim, pois a vacina contém o vírus vivo atenuado.

3) O Ministério da Saúde recomenda que gestantes e bebês não tomem a vacina. O que eles podem fazer para se proteger da doença?
Mulheres grávidas não podem receber a vacina, pois ela pode comprometer o desenvolvimento do sistema neurológico do bebê. Bebês abaixo de 6 meses de idade também não devem receber a vacina a não ser em situações muito específicas, pois após a vacinação, a mãe não pode amamentar durante 10 dias. A transmissão da febre amarela acontece por meio da picada do mosquito Aedes Aegypti, então gestantes e bebês devem se proteger com medidas individuais, como não viajar para áreas de risco ou que haja indícios da doença e medidas preventivas como uso de repelentes adequados, mosquiteiros e roupas que cubram o corpo todo. As medidas gerais que evitam a proliferação do mosquito em águas paradas vale sempre.

4) Quais são as contraindicações da vacina de febre amarela?

  • Bebês com menos de 9 meses de idade;
  • Pessoas que estejam em tratamento com quimioterapia ou radioterapia;
  • Gestantes e mulheres que estejam amamentando;
  • Pessoas com alergia a algum componente da vacina;
  • Pessoas com alergia a ovos e derivados;
  • Quem estiver com doença febril aguda, com comprometimento do estado geral de saúde;
  • Pacientes com doenças que causam alterações no sistema imunológico (nascidas com a pessoa ou adquiridas), assim como terapias imunossupressoras – quimioterapia e doses elevadas de corticosteroides, por exemplo; indivíduos portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico ou com outras doenças autoimunes;
  • Indivíduos que tenham apresentado doenças neurológicas de natureza desmielinizante (Síndrome de Guillan Barrè, ELA, entre outras) no período de seis semanas após a aplicação de dose anterior da vacina;
  • Pacientes transplantados de medula óssea;
  • Pacientes com histórico de doença do Timo;
  • Pacientes portadores de HIV;
  • Crianças menores de seis meses de idade;
  • Crianças menores de dois anos de idade que não tenham sido vacinadas contra febre amarela não devem receber as vacinas tríplice viral ou tetra viral junto com a vacina contra febre amarela. O intervalo entre as vacinas deve ser de 30 dias.
  • Indivíduos acima de 60 anos devem conversar com o médico para avaliar o risco de complicações.

Em caso de dúvidas ou se você estiver nos grupos de contraindicações, procure um médico antes de tomar a vacina.

QUER SABER MAIS?
Leia  o especial abaixo que preparamos sobre FEBRE AMARELA:

Quem tem diabetes pode tomar a vacina contra a febre amarela?

A vacina é a melhor maneira de se proteger contra a doença, mas algumas contra indicações devem ser levadas em consideração ao aderir à campanha de vacinação

A febre amarela é uma doença viral transmitida pela picada de mosquitos comuns. Sua disseminação é rápida e preocupa as autoridades desde dezembro de 2017, pela intensidade dos sintomas e rapidez do contágio. Para a proteção, existe a opção de vacinação com validade confirmada, sendo ainda o melhor método de se imunizar.

A recomendação do Ministério da Saúde é que os habitantes das áreas de maior risco participem das campanhas de vacinação. Não há nenhuma contra indicação para que pessoas com diabetes não tomem a vacina, salvo se apresentarem alergia aos componentes da vacina ou doença febril aguda grave.

A Sociedade Brasileira de Diabetes divulgou um estudo retrospectivo[1] cujo resultado é favorável a população diabética: as vacinas se mostraram seguras e eficientes em testes feitos com pacientes e colaboradores com a disfunção.

Contraindicações para diabéticos

Pacientes com o sistema imunológico comprometido pelo diabetes devem seguir orientação médica para se vacinar, pois o organismo encontra-se mais exposto contra os agentes infecciosos contidos na vacina. Para o Dr. Pedro Tauil, especialista e professor da Universidade de Brasília, o paciente deve avaliar os riscos e os benefícios de acordo com a área de habitação e hábitos do indivíduo: “se a pessoa eventualmente se expõe ao risco de adquirir a doença, a vacina é recomendada”, explica.

Cuidados que devem ser tomados

Casos de glicemia instável também devem ser levados em consideração, pois se tornam um fator debilitante ao paciente, podendo agravar os sintomas causados pela vacinação. Idosos podem sofrer mais com as consequências da vacinação e sua saúde deve ser acompanhada de perto nestes casos, sobretudo se o indivíduo tiver diabetes.

Crianças pequenas, acima dos nove meses, podem e devem tomar a vacina contra a febre amarela, seguindo a orientação médica específica e efetuando o acompanhamento glicêmico, se tiver diabetes tipo 1.

Quem mais pode tomar a vacina

Segundo nota no site do Ministério da Saúde, não há contra indicação em tomar a vacina contra febre amarela e fazer uso de medicamentos. Este é um fator relevante para quem tem diabetes, que além da saúde, preocupa-se também com a medicação de controle glicêmico.

Com relação as crianças pequenas, a idade mínima para vacinação é de seis meses de idade, caso a criança resida em área de risco. Se não, a partir dos nove meses, segundo calendário de vacinação do bebê.

Quem não pode tomar a vacina

O Ministério da Saúde alerta quem sofre alguma alteração severa ou deficiência no sistema imunológico a seguir orientação médica para se vacinar. Alterações hematológicas, ou seja, anormalidades nas plaquetas do sangue ou no processo de coagulação, também são fatores de risco para quem pretende se usar este método de imunização.

Portadores de HIV positivo, pacientes com tratamento quimioterápico, hemofílicos, portadores de doenças no sangue ou de doença falciforme devem tomar especial cuidado e consultar um médico antes de aderir à campanha, preferindo outras formas de se proteger, sobretudo através de roupas que cubram todo o corpo, uso de repelentes de insetos e evitando os locais de maior risco para contração da doença.

Gestantes não devem tomar a vacina. O ideal é que a mãe efetue a vacinação antes de engravidar, se for possível. A febre amarela não é um risco para o bebê, caso a mãe a contraia, mas sim para a saúde da gestante, que deve acompanhar os sintomas por um médico sob os devidos cuidados.

Para indivíduos que já tomaram a dose completa da vacina, não há necessidade de toma-la novamente, pois a imunização não tem data de validade. O ideal é que o paciente já imunizado tome um reforço da vacina de dez em dez anos.

Sintomas

O nome da condição é derivado de coloração de pele que o indivíduo adquire ao ser afetado pelo vírus, condição chamada de icterícia. No entanto, o paciente deve estar atento, pois em suas variações mais leves, pode não haver marcas na pele e, sim, os demais sintomas, como dores no corpo, náuseas, mal estar e febre intensa.

Tratamento

O tratamento é feito especificamente cuidando dos sintomas e da hidratação do paciente, sob medicação e orientação médica, depois de feitos os exames para confirmação.

Transmissão e prevenção

Algumas medidas de prevenção acompanham a campanha de vacinação, pois os principais vetores de transmissão da doença sãos os mosquitos silvestres Haemagogus e Sabethes, que se proliferam nas estações de chuva com maior facilidade em lugares com água parada. No meio urbano, o mosquito Aedes aegypti também é responsável pelo contágio.

Assim, com o crescimento dos casos de febre amarela, recomendações para contenção da dengue, por exemplo, também são úteis para ajudar a proteger a população: evitar locais de mata com alta umidade, eliminar os focos de água parada, cobrir elementos expostos à chuva que possam acumular água, cobrir caixas d’água e cisternas, tomar especial cuidado com a coleta de lixo etc.

Para as pessoas que possuem restrições com relação à vacina, a recomendação do Ministério da Saúde é o uso de repelentes e roupas que cubram mais partes do corpo, evitando ao máximo áreas de incidência de mosquitos.

Erroneamente, macacos de parques e áreas silvestres são atacados como transmissores da doença. Os animais, no entanto, não são capazes de transmitir a doença, mas adoecem com ela, assim como os humanos, e são indicadores da velocidade com que o vírus se espalha, pois morrem rapidamente.

Vacinação fracionada

Devido ao grande risco de disseminação da doença, a Prefeitura de São Paulo decidiu antecipar para quinta-feira, dia 25 de fevereiro, a campanha de vacinação contra a febre amarela na capital, priorizando as áreas de risco. A lista dos postos que abrem para vacinação no feriado de aniversário da cidade já está disponível (Hiperlink).

O objetivo da campanha de vacinação fracionada é imunizar o maior número possível de habitantes das cidades mais atingidas. A dose fracionada tem a mesma eficácia da completa, mas por menos tempo: são oito anos de imunidade contra o vírus causador da doença. Quem já tomou a dose completa não precisa fazer reforço da mesma antes de dez anos, pois ela não perde a validade de imunização no organismo.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde alegou que não há necessidade de pânico e que o mutirão deve suprir a necessidade das áreas de risco até o fim de fevereiro. As demais localidades de que não estão definidas como risco pela campanha devem ser vacinadas completamente nos próximos meses.

 

REFERÊNCIAS:

https://exame.abril.com.br/brasil/quanto-tempo-dura-a-protecao-da-vacina-contra-febre-amarela/

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-01/febre-amarela-conheca-sintomas-transmissao-e-detalhes-da-vacina-fracionada

http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/mutirao-da-vacina-contra-febre-amarela-e-antecipado-para-25-de-janeiro/

 

POSTOS: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/veja-lista-dos-postos-para-vacinacao-contra-febre-amarela-que-abrem-no-feriado-de-aniversario-de-sp.ghtml

http://especiais.g1.globo.com/sao-paulo/2018/saiba-onde-tomar-a-vacina-contra-a-febre-amarela-em-sp/

https://www.vix.com/pt/maes-e-bebes/541496/vacina-de-febre-amarela-gestantes-podem-tomar-como-evitar-doenca-medico-explica

[1] Conduzido pelo Dr. Mad’ar e colaboradores. Informações contidas no artigo Vaccination of pacientes with diabetes mellitus: a retrospective study, pelo Cent Eur J. Public Health, em 2011.