Profissionais da saúde estão ficando cada vez mais preocupados e surpresos com o aumento de casos de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

O Brasil sofre com a falta de estatísticas sobre casos de diabetes de uma forma geral, mas o presidente do Instituto da Criança com Diabetes do Rio Grande do Sul (ICDRS), Balduino Tschiedel, que acompanha 3.300 pacientes por ano, tem constatado um crescimento importante desses casos. “Quando fundamos o Instituto no final da década de 1990 não se pensava em DM2 em crianças e adolescentes e agora isso é uma realidade. Só aqui em Porto Alegre atendemos quase 100 desses pacientes”, conta.

O endocrinologista atribui a culpa principalmente à obesidade, causada por hábitos pouco ou nada saudáveis. “Hoje, a criança brinca somente na frente da telinha. Com um smartphone ou um tablet na mão ela passa o dia sem fazer nenhuma atividade física”, analisa Tschiedel. Soma-se a isso a alimentação baseada em fast food e o excesso de produtos industrializados, processados e açucarados e têm-se combustível para uma explosão de novos casos.

Sintomas e sinais 

Glicemia em jejum acima de 125 mg/dL caracteriza diabetes tanto em adultos quanto nos jovens. Mas, assim como acontece no público mais velho, os primeiros sinais do DM2 nos baixinhos aparecem quando a doença já está avançada e muitas vezes o paciente dá entrada no hospital com ceatoacidose diabética.

Embora o DM2 seja uma doença silenciosa, o médico orienta os pais e familiares a ficarem atentos a certas manchas amarronzadas que aparecem na pele, principalmente na região das dobras, como pescoço e axilas. Elas pode indicar uma hiperinsulinemia, isto é, excesso de insulina circulando no sangue, resultado de uma resistência insulínica, proporcionada pela obesidade. Tais manchas são chamadas de acantose nigricans. “Como elas surgem principalmente no pescoço e têm a aparência de sujeira, muita gente não dá a devida atenção. Portanto, fica o alerta aos pais, pois a acantose é um sinal precoce do diabetes tipo 2 ou pelo menos de uma resistência à insulina, que pode evoluir para a doença se não forem tomadas medidas essenciais, como atividade física e alimentação equilibrada”.

O tratamento do DM2 em adolescentes é igual ao do adulto, ou seja, tudo começa pela mudança no estilo de vida. Os mais novos também são tratados com medicamentos orais, como metformina e sulfoniureias, além da insulina. “Tratar é fundamental e existem boas terapias para isso, mas realmente precisamos prevenir o DM2 em todas as faixas etárias, especialmente nas nossas crianças”.

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