Algumas vezes, os medicamentos orais não são suficientes para controlar o diabetes. Nestes casos, o médico pode receitar uma aliada poderosa do tratamento

Durante uma década, o auditor de sistemas Edvaldo Furtado Appolinário, de Indaiatuba, interior de São Paulo, tratou o diabetes tipo 2, descoberto em 1987, tomando apenas medicamentos orais, que ajudavam a baixar a glicemia. Porém, ele tinha dificuldades de manter o controle glicêmico em meio às atividades do cotidiano e acabou desenvolvendo algumas complicações.

Diante do quadro de neuropatia e retinopatia diabética, o médico recomendou ao aposentado usar insulina. “Levei quase seis meses para me acostumar com as aplicações e dois anos para realmente entender que a insulina evitaria outros problemas de saúde, como a nefropatia”, conta. Hoje, ele toma um remédio para amenizar as dores nas pernas e não abre mão da picadinha diária. “A insulina aumentou minha qualidade de vida”, comemora Edvaldo.

Já Eliane Pereira Ricco, de 34 anos, moradora de Osasco (SP), está tentando se adaptar à terapia com insulina, iniciada este ano. Ela foi diagnosticada com diabetes tipo 2 em 2009 e tomava dois remédios diariamente. Apesar disso, a glicemia dela ficava sempre acima de 300 mg/dL. O médico receitou, então, um terceiro medicamento, que também não surtiu o efeito esperado. “Passei por um período de depressão por ter que encarar a vida de insulinodependente, mas vou superando cada dia, pois notei que meu desempenho físico melhorou com a insulina. Não sinto cansaço, sede excessiva nem formigamento nos pés e não vejo mais minhas mãos ficando roxas. É um longo processo de adaptação, mas sei que ela me faz bem”, declara.

E faz mesmo. Segundo o endocrinologista Antônio Carlos Pires, professor adjunto doutor da Disciplina de Endocrinologia da Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto (SP), a insulina é fundamental para o bom funcionamento do organismo, pois é responsável por facilitar a entrada da glicose nas células e garantir energia para o nosso corpo.

Tratamento individualizado

O pâncreas de quem tem diabetes tipo 2 ainda possui uma reserva de insulina, no entanto, o organismo manifesta uma resistência à ação do hormônio e, por isso, a glicemia sobe. “Com o passar do tempo, as células-beta do pâncreas, que produzem insulina, podem perder a função e o diabetes evolui. Assim, mesmo que o paciente esteja tomando os medicamentos corretamente, é recomendado entrar com insulina”, explica. Há casos em que a prescrição é necessária, por exemplo, quando a glicemia em jejum for superior a 300 mg/dL, durante o diabetes gestacional ou se a pessoa estiver perdendo muito peso em pouco tempo.

Segundo o especialista, existem estudos demonstrando os benefícios de insulinizar o paciente com diabetes tipo 2 logo no diagnóstico, a fim de melhorar o metabolismo, recuperar a massa muscular e alcançar o controle mais rapidamente. Contudo, ele destaca que a decisão de iniciar a terapia com insulina deve ser muito bem avaliada pelo médico em conjunto com o paciente, levando em consideração seu estilo de vida, tempo de diabetes, acesso ao tratamento, entre outros fatores, pois, da mesma forma que ela é fantástica para o bom controle, pode causar hipoglicemias.

“O diabetes é uma doença bastante heterogênea, ou seja, cada caso é único e deve ser analisado individualmente. Por isso, é importante que o médico converse com o paciente e procure esclarecer todas as dúvidas dele, tranquilizando- o de que a insulina não é inimiga nem castigo, mas uma aliada do tratamento”, afirma.

Biossimilares x Biológicos

Existem diversos tipos de insulina para o tratamento do diabetes, que variam conforme o início, a duração e o pico de ação do medicamento no organismo. A escolha é baseada, principalmente, no perfil clínico do paciente, visando sempre o menor risco de hipoglicemia e o melhor controle glicêmico. Por isso, é essencial que o paciente não substitua a medicação por conta própria.

O endocrinologista Antônio Carlos Pires faz um alerta também para o uso dos biossimilares, que são semelhantes, mas não iguais à insulina de referência. São diferentes, por exemplo, dos genéricos, que são moléculas químicas copiadas em laboratórios com eficácia idêntica ao original. “Já o biossimilar é uma molécula biológica impossível de ser reproduzida de forma idêntica”, esclarece. O uso de insulinas sem orientação médica pode causar hipoglicemia. “Desta forma, o paciente jamais deve trocar seu tratamento sem o conhecimento do médico”, recomenda.

Este conteúdo foi produzido pela Sanofi em parceria com a revista Momento Diabetes, na edição 08. Compre aqui a sua.