Ainda há vagas para profissionais de saúde interessados em aliar teoria e prática, mas é preciso correr

Promovido pela ADJ Diabetes Brasil e pela Sociedade Brasileira de Diabetes, o Educando Educadores será realizado entre os dias 28 de janeiro e 4 de fevereiro, dentro do Acampamento Nosso Recanto (NR), em Sapucaí Mirim (MG), e é uma ótima oportunidade para profissionais de saúde aprofundarem seus conhecimentos teóricos e práticos sobre diabetes tipo 1.

A psicóloga Graça Camara, coordenadora do projeto deste 2008, conversou com a Momento Diabetes e deu mais detalhes sobre o curso. Confira:

Momento Diabetes: Quais são os objetivos do curso Educando Educadores?

Graça Camara: A proposta do curso é reproduzir conhecimento e qualificar profissionais da área saúde, principalmente aqueles que já atuam ou atuaram com diabetes. A ideia é que os participantes aprendam sobre a doença e como lidar com os pacientes a partir do princípio da educação em diabetes e de um conteúdo teórico-prático elaborado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF). Capacitados, esses profissionais poderão treinar e preparar outras pessoas e profissionais para atuar com diabetes, assumindo, assim, uma postura educativa.

MD: Estudantes podem participar?

GC: Não. O curso é voltado para médicos, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos e qualquer profissional de saúde com nível superior completo.

MD: Qual é o conteúdo do curso?

GC: O programa básico do curso tem 40 horas e os alunos são pré-selecionados. Eles precisam preencher uma ficha comprovando que atuam ou já atuaram com diabetes. Um teste de conhecimento é aplicado na abertura e outro no final do curso. Para receber o certificado, os participantes precisam apresentar um projeto de conclusão até 30 dias depois do término do curso. O projeto será avaliado pela coordenação do curso e, caso seja implementado, nós acompanhamos através dos Congressos da SBD.

MD: A edição deste ano traz alguma novidade?

GC: Sim. Esta é a 33ª edição do programa Educando Educadores, que será realizado dentro do Acampamento Nosso Recanto (NR), durante a temporada de férias específica para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. Esse acampamento é organizado pela ADJ Diabetes Brasil, pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pelo NR. Assim, este ano só vão comparecer profissionais que atuam com diabetes tipo 1, pois o objetivo é usar o acampamento de férias como uma ferramenta educativa.

3ª edição do Educando Educadores em Brasília, DF

MD: E o que muda com a presença dos acampantes?

GC: Os acampantes são crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, idade entre 9 e 14 anos, que possuem experiências e tratamentos diferentes. Têm aqueles que usam bomba de insulina; outros, caneta ou seringa e há os que utilizam o sensor Libre. Essa variedade certamente acrescentará muito no aprendizado dos alunos do Educando Educadores, que poderão identificar e acompanhar formas diferentes de aplicar a insulina e controlar a glicemia entre os 80 acampamentos.

Nos dois primeiros dias do Educando Educadores, os alunos passarão por uma revisão teórica e preparativa e depois poderão atuar junto aos profissionais que acompanham as crianças e adolescentes. Ou seja, é uma oportunidade para aprender na prática. Entre os temas teremos aplicação da insulina, medições de glicemia, contagem de carboidratos e outras questões relacionadas à alimentação, atividades físicas e educativas.

MD: Quem administra o conteúdo teórico?

GC: É a mesma equipe de profissionais que ministra o curso na prática, só que dessa vez de maneira intensiva e discutindo somente diabetes tipo 1. Vamos trabalhar o próprio conceito do diabetes, mas buscando uma atualização do tema através das diretrizes da SBD. Vamos falar sobre o processo educativo e a importância de sermos educadores em diabetes. O objetivo da parte teórica é treinar os profissionais para a parte prática, inclusive com oficinas de preparação para as atividades com as crianças. Toda tarde faremos uma reunião a respeito do que eles vivenciaram, do que aprenderam e como poderão usar em seus projetos.

MD: Qual a maior dificuldade de organizar um curso como esse?

GC: Acho que a maior dificuldade é a agenda dos participantes, pois eles precisam se ausentar do trabalho por uma semana inteira para acompanhar o curso. É um curso intensivo e de imersão, ou seja, mesmo que os participantes morem perto do acampamento, eles precisam dormir no local. Quanto à equipe organizadora, a questão é outra. Nós já trabalhamos juntos há dez anos e vamos lidar com profissionais do Brasil inteiro, de lugares com práticas e realidades diferentes. Então esse trabalho intensivo de dois dias é um trabalho também de conhecimento pessoal. Embora os alunos preencham uma ficha de pré-seleção bem completa, fazemos um trabalho de nivelar as expectativas e conhecimentos e discutir todos os dias o conteúdo que eles vão pôr em prática de acordo com o cotidiano de cada um.

MD: E mesmo lidando com pessoas que já trabalham e entendem sobre diabetes, você acha que o curso quebra alguns tabus e mitos sobre a doença?

GC: Independentemente de lidarmos com médicos e profissionais de saúde, no curso, os participantes vêm de realidades muito diferentes. Então, eu diria que são mais dificuldades de acesso à informação e a tratamentos mais especializados ou até mesmo dificuldade em mudar alguns hábitos, que são muito diferentes de uma região para outra. Nós lidamos o tempo todo com esse tipo de experiência, tanto que o curso é uma troca de realidade muito grande, mas que nos traz muito conhecimento. Nesse processo, desconstruímos alguns tabus, sim.

 

MD: Para a edição de janeiro ainda há vagas?

GC: Ainda é possível se inscrever nesta edição do acampamento, porém são poucas vagas. Para aqueles que não conseguirem participar agora, vamos divulgar um calendário em breve. Pretendemos fazer pelo menos mais quatro edições do curso básico este ano, sendo uma delas na capital paulista, onde já contamos com parcerias e espaço disponível, e outra em São Luiz do Maranhão. Estamos negociando com outros estados. De qualquer forma, as pessoas podem nos enviar mensagem com os dados e com o interesse e nós já colocaremos na lista.

Graça Camara é psicóloga, educadora em diabetes e especialista em educação em saúde pela Unifesp. Coordena o curso Educando Educadores da ADJ Diabetes Brasil desde 2008 e coordena o Departamento de Psicologia da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

 

Serviço

Cidade: Sapucaí Mirim, MG

Local: Acampamento Nosso Recanto

Data: 28 de janeiro a 4 de fevereiro de 2018

Valor do investimento: R$2.100,00

Sobre a ADJ Diabetes Brasil

Fundada em 10 de março de 1980, a ADJ Diabetes Brasil é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, legalmente registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Seu objetivo é promover educação nesse campo para pessoas com diabetes, familiares, profissionais de saúde e comunidade.

Atende gratuitamente as pessoas com todos os tipos de diabetes, de qualquer faixa etária e classe socioeconômica. Oferece um trabalho integrado realizado por uma equipe multidisciplinar.