Grupos de apoio na internet e acessórios mais fáceis de usar ajudam quem tem diabetes a lidar melhor com o tratamento

Aplicar insulina em lugares públicos sempre foi um tabu para a fotógrafa carioca Ilana Brajterman, de 44 anos, 37 deles convivendo com o diabetes tipo 1. Até quando está em casa, com a família, ou entre amigos, ela se retira para algum cômodo mais reservado, aplica a insulina e volta. Tudo de forma discreta para não atrair a atenção alheia.

“Durante a maior parte da minha vida escondi que tinha diabetes. Recebi o diagnóstico muito nova, com apenas sete anos. Naquela época, em 1980, era muito difícil conversar sobre o assunto. Não existia internet, não havia campanhas de conscientização e prevenção nem produtos adequados para o nosso controle. Assim, cresci sem o costume de falar a respeito da minha condição.Tenho uma amiga há 12 anos, por exemplo, que até hoje não sabe que sou diabética. Nunca comentei nem apliquei perto dela”, conta Ilana, que está buscando vencer o medo e a vergonha de se expor.

Há quatro anos, um episódio desagradável mexeu com a fotógrafa de um jeito especial. Ela participava de um evento, quando percebeu que precisava aplicar insulina. “Peguei minha bolsa e fui ao banheiro. Mas ao chegar na porta, um funcionário do hotel me barrou, avisando que o local estava interditado. Pensei comigo: mas só quero entrar para aplicar insulina”, relembra. Porém, o medo falou mais alto e Ilana respondeu que precisava muito usá-lo, mas mesmo assim não teve jeito. Seria preciso subir alguns andares para encontrar o banheiro mais próximo. Se fizesse isso, ela perderia o conteúdo das palestras. “Olha o transtorno! Tudo isso porque eu não conseguia dizer que tenho diabetes”, analisa.

Na ocasião, Ilana optou por não fazer a aplicação e retornou para o evento. Ao chegar em casa, a glicose dela estava acima de 300 mg/dL. “Coloquei em risco minha vida por vergonha e medo. Dali em diante, resolvi que precisava mudar.”

Pouco tempo depois, Ilana foi convidada para fazer parte de um grupo na internet chamado Academia dos Novos Diabéticos, formado por pessoas com diabetes de vários lugares do país que compartilham experiência, trocam informação e se ajudam. O nome do grupo não está relacionado à idade dos membros, mas à forma como todos eles lidam ou tentam lidar com o diabetes, de um jeito natural, sem neuras.

Aos poucos, a carioca está vencendo os próprios limites. Recentemente, viajando para São Paulo, ela aplicou insulina dentro do avião, ao lado de outros passageiros. Em outra ocasião, foi na mesa do restaurante, ao lado da irmã. “Ainda não é fácil, mas quero que se torne, cada vez mais, algo normal me aplicar na frente de qualquer pessoa. Para mim, isso tem a ver com o meu bem-estar”, relata.

Para vencer os desafios

Além do apoio e da convivência com os membros da Academia dos Novos Diabéticos, os acessórios usados por Ilana também ajudam a superar a vergonha e o receio de se cuidar em público. “Uso agulha de 4 mm, a menor de todas, que oferece mais conforto, é indolor e discreta. A facilidade de manejar a caneta é outro ponto importante, pois posso aplicar no braço, na barriga e na perna de forma sutil. Acredito que o acessório faz toda diferença, pois muitas pessoas não sabem o que é diabetes e ficam assustadas quando vêem alguém se aplicando”, diz a fotógrafa.

Assim como Ilana, a analista de sistema Belkiss Martins Marcorio, 31 anos, que descobriu o diabetes tipo 1 há uma década, também encontrou na Academia dos Novos Diabéticos o apoio para lidar bem com a disfunção. No início do diagnóstico, a jovem ficava incomodada quando aplicava insulina perto de outras pessoas e elas comentavam que um parente, geralmente avô ou tio, havia ficado cego ou perdido uma perna por causa da doença. “Hoje esses comentários não me atingem mais, porque sei que se eu tiver um tratamento adequado não vou sofrer nenhuma complicação. Com informação certa conseguimos superar os nossos medos e viver melhor”, afirma Belkiss.

Para ela, o momento da aplicação tornou- se natural ao ponto de fazer isso na frente dos colegas de trabalho e eles não se incomodarem. “Quando as pessoas percebem que convivemos bem com o diabetes, o preconceito não tem vez”, finaliza a analista de sistemas.

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Criado pela BD, o projeto Vivendo Bem com Diabetes tem como objetivo ajudar pessoas com diabetes a se tornarem mais saudáveis e felizes, tirando partido das mais recentes inovações no tratamento da disfunção. Saiba mais em: facebook.com/ vivendobemcomdiabetesbd