Atualmente, existem sete classes de medicamentos orais e duas de injetáveis para tratamento de quem tem diabetes tipo 2. Com o avanço da tecnologia, surgem classes inovadoras no mercado, possibilitando tratamentos mais precisos para cada paciente.

Entender como funcionam os medicamentos e qual é o mais indicado em cada caso é um grande aliado na hora de aceitar o diabetes. Muitas pessoas ainda tem o receio de tomar injeções de insulina ou de ficar dependente dela, de modo que ao tomar conhecimento das outras possibilidades de tratamento é algo libertador, já que somente 15% dos pacientes com DM2 usam a insulina para o controle glicêmico.

Saiba quais são e como agem esses medicamentos:

1) Biguanidas: a principal representante dessa classe de drogas é a metformina. Ela reduz a produção de glicose no fígado, combate a resistência insulínica e possui baixíssimo risco de causar hipoglicemia. Por agir na resistência insulínica, é o primeiro medicamento a ser utilizado no tratamento do DM2. Seu principal efeito colateral é o distúrbio gastrointestinal, e existem opções de comprimidos com liberação lenta que podem ser usados nos pacientes que apresentam intolerância.

2) Sulfonilureias: estimulam a produção e a secreção de insulina pelas células beta do pâncreas e podem causar hipoglicemia. Outros efeitos adversos incluem ganho de peso e aceleração na falência das células beta. São muito utilizadas no Brasil como segunda opção terapêutica, em associação à metformina, por serem fornecidas de forma gratuita pelo governo.

3) Inibidores da alfaglicosidase: retardam a digestão e absorção de carboidratos no intestino, que elevam a taxa de açúcar no sangue. Ao bloquear esta absorção, os inibidores evitam que o carboidrato ingerido cause aumento da glicemia. Praticamente não são utilizadas por apresentarem efeitos adversos intensos do trato gastrointestinal.

4) Tiazolidinedionas: agem dentro do núcleo celular, em um receptor chamado ppargama. Eles reduzem a resistência insulínica, principalmente no músculo e no tecido adiposo do paciente com diabetes tipo 2.

5) Glinidas: estimulam a produção de insulina pelo pâncreas, mas diferentemente das sulfonilureias, seu efeito é mais rápido e depende da glicose. Sua principal utilização é no controle da hiperglicemia pós-prandial, isto é, depois das refeições.

6) Inibidores enzima DPP-4: sitagliptina, vildagliptina, saxagliptina, alogliptina e linagliptina são alguns medicamentos desta classe, todos ministrados via oral. Após a alimentação, nosso intestino libera um peptídeo chamado GLP-1 (também chamado de incretina), cuja principal função é estimular a liberação de insulina, diminuir a produção da glicose no fígado e aumentar a sensibilidade à insulina. São muito utilizados devido à segurança em relação aos efeitos adversos.

7) Inibidores do SGLT-2: dapagliflozina, empagliflozina e canagliflozina são os medicamentos desta classe. Atuam através da excreção de glicose pela urina. Além de apresentarem uma boa eficácia – maior redução de hemoglobina glicada (HbA1c) em comparação aos inibidores DPP4, possuem benefícios adicionais de perda de peso e diminuição da pressão arterial.

8) Análogos de GLP-1: são medicações injetáveis. O GLP-1 é o hormônio que estimula o pâncreas a produzir insulina. Os análogos de GLP-1, liraglutida e exenatida são usados no tratamento do diabetes, proporcionando benefícios adicionais além do controle glicêmico, como redução do peso corporal e da pressão arterial. Já está disponível também no Brasil a dulaglutida, que é aplicado uma vez por semana e possui os mesmos benefícios citados acima, além de baixar a HbA1c. Na prática, o principal efeito adverso é a náusea.

 

Este conteúdo faz parte da edição 06 da revista Momento Diabetes. Nela você encontra uma matéria sobre Os remédios para diabetes tipo 2, além de outros conteúdos. Compre aqui a sua.