Aliada ao autoconhecimento, a tecnologia ajuda a tornar mais leve a rotina de quem tem diabetes.

 

Meu nome é Bia, tenho 22 anos e sou diabética desde os seis. Sempre fui muito tranquila, mas o início da adolescência tornou o controle glicêmico mais difícil e foi nessa época, aos 12 anos, que comecei a usar a bomba de infusão de insulina por orientação da minha médica. Achei que seria legal ser uma pessoa meio biônica e gostei da ideia. Hoje não me vejo sem ela! Faço tudo com a minha bombinha: vou a festas, viajo para a praia, faço exercício físico, durmo com o fio da bomba enrolado na barriga, enfim! O tempo todo ela está comigo.

Quando saio na rua com a bomba de insulina à mostra sempre vem algum curioso questionar. Respondo com o maior prazer e dou uma aula sobre como é ter diabetes tipo 1 e para que serve esse aparelhinho, que fica conectado ao meu corpo, injetando insulina sempre que meu organismo precisa. Também mostro o meu ponto de vista, que é bem positivo, em relação à doença e aos novos tratamentos, e deixo bem claro que, com uma alimentação saudável, atividade física e olho na glicemia, é possível ter um bom controle e ser feliz!

Há oito meses coloquei o sensor de monitorização contínua de glicose, que é como um anjo da guarda para mim. Trata-se de um equipamento pequeno, que fica geralmente no meu braço e tem como função medir os níveis de açúcar no meu sangue 24 horas por dia, me avisando sempre quando ocorre uma queda, chamada de hipoglicemia.Por isso, às vezes ele me acorda de madrugada fazendo escândalos! É o jeito dele de cuidar de mim. E, realmente, depois que comecei a usá-lo, minhas hipoglicemias diminuíram bastante – e as hiperglicemias também! Tenho um gráfico bem mais estável e dentro da meta. Os picos pós-refeição, por exemplo, diminuíram bastante porque, com o sensor, pude perceber quais alimentos faziam mal para a minha glicemia e como bem menos agora.

Uma história engraçada com a bomba de insulina e com o sensor aconteceu recentemente. Estava no meio de uma reunião e a bomba não parava de vibrar. Tentei esperar até o fim para checar o que estava acontecendo, mas a bomba não deixou: começou a apitar loucamente e todos na sala olharam para mim assustados. Tirei o aparelho do bolso, vi que a glicemia estava em 141 (coloco a minha meta entre 80 e 140) e falei: “Estou bem!” Todos acharam graça da situação.

Sou diabética tipo 1 com orgulho, porque se eu não me amar e me aceitar, quem vai? Uma hipo ou hiper me abalam? Sim, mas apenas naquele momento. Quando acabam, passou! Não tenho mais sintomas de diabética e volto à vida normal. Vivi 16 anos maravilhosamente bem e fazendo tudo o que queria fazer. Acredito que a vida é para ser vivida, com saúde, leveza e vontade.