Gavin Griffith está correndo o mundo para falar sobre esporte e já visitou mais de dez países com um objetivo: empoderar a galera doce

Talvez você ainda não tenha ouvido falar dele, mas esse jovem inglês, de apenas 24 anos, está viajando pelos continentes para divulgar o projeto DiAthlete Global Tour, que mostra como o esporte pode mudar a vida das pessoas com diabetes mellitus tipo 1 (DM 1).

O moço, que já correu 30 maratonas em 30 dias, foi diagnosticado com DM 1 aos 8 anos. Na  ocasião, os médicos lhe disseram que ele não chegaria aos 50, e que a disfunção o afetaria negativamente nos esportes.

Contrariando toda essa perspectiva sombria e pessimista, Gavin superou os desafios, decidiu empoderar- se e ir atrás dos seus sonhos.

Desde 2013 é um Young Leader (jovem líder) da Federação Internacional de Diabetes (IDF) e já visitou 13 países divulgando o

DiAthelete Global Tour, patrocinado pela empresa Sanofi. Entre os dias 19 e 26 de junho, ele esteve no Brasil para participar de ações com jovens com diabetes, entre eles o Piquenique Azul, realizado em São Paulo, onde o atleta conversou com a Momento Diabetes.

Momento Diabetes: Quais países você já visitou e em qual deles a desinformação é maior?

Gavin Griffith: Já fui para a Lituânia, Portugal, Gana, Estados Unidos, Costa Rica, Hong Kong, Fiji e agora o Brasil. Cada um desses países apresentou uma necessidade específica de compreensão da doença. Nos Estados Unidos, por exemplo, o maior problema é o sistema de saúde, que é incerto e caro para a população de baixo poder aquisitivo.

Qual é o objetivo do projeto DiAthlete Global Tour?

Gavin: O DiAthlete é totalmente voltado para o empoderamento de pacientes e suporte aos seus familiares. Quando participei do programa da IDF em Melbourne, na Austrália, em 2013, me relacionei pela primeira vez com jovens com diabetes da mesma faixa etária que a minha e moradores de diversos lugares do mundo. Essa experiência abriu meus olhos para ver as diferentes situações que cada um deles enfrenta em seu país. Apesar das diferenças, descobri que temos muitas semelhanças para compartilhar. Por isso, luto para reunir as comunidades locais de diabetes e poder espalhar essa positividade e o empoderamento de forma global.

Depois de conversar com jovens de diversos países, é possível identificar um desafio que a maioria deles têm ou tiveram em comum?

Gavin: Sem sombra de dúvida, aceitar o diagnóstico de uma doença crônica, que não tem cura, é o principal desafio. A princípio, muitas pessoas não conseguem entender que é possível viver bem e com saúde apesar do diabetes.

O projeto também é dirigido às pessoas com diabetes tipo 2?

Gavin: Devido à minha experiência, o foco principal do meu trabalho é o DM 1. Porém, nas viagens, conversei com algumas pessoas com DM 2 e percebi que elas também carecem muito de informação em relação à doença e o suporte a esses grupos é menor.

Você está gravando um curtametragem, certo? Do que se trata?

Gavin: Sim, é um documentário sobre o projeto DiAthlete, com cenas e entrevistas em todos os lugares que visitei. O trabalho final de edição será realizado em agosto e setembro e a previsão é lançar no final deste ano, mas ainda não temos uma data confirmada. Ele será promovido na nossa página na internet (facebook.com/Diathlete/), nas redes sociais, blogs e sites de pessoas com diabetes, dos parceiros do projeto e do nosso patrocinador, a Sanofi.

Como os entrevistados foram selecionados?

Gavin: Como sou um defensor global ativo com DM1, tenho a sorte de possuir muitos contatos em todo o mundo e isso ajudou bastante. Minha escolha se baseou em defensores do bom controle do diabetes, ativistas e pessoas que trabalham em prol da disfunção, gerando um impacto positivo sobre o tema.

Qual foi sua impressão sobre os brasileiros docinhos?

Gavin: Que são pessoas amáveis! Conheci verdadeiros líderes em diabetes, defensores de diferentes causas e projetos incríveis, que surgiram de experiências particulares, como o Piquenique Azul, que reúne pessoas com diabetes para momentos de aprendizado e diversão, a ADJ Diabetes Brasil, que dá apoio a pacientes e familiares e os desenvolvimentos tecnológicos liderados pela equipe do Glic. Foi uma experiência maravilhosa encontrar tanta gente legal e ser acolhido em seus grupos.

 

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