O pequeno Gaspar nasceu com um tipo raro de diabetes, que só acomete 1 em cada 300 mil bebês. Com o amor da família e a ajuda da tecnologia, hoje ele tem uma vida saudável.

 

Olá! Sou a Emilie J. Matheiski, de São Paulo, mãe do Gaspar, esse garoto lindo da foto. Ele nasceu em janeiro de 2015 com P.I.G, que significa Pequeno para Idade Gestacional, ou seja, não cresceu o suficiente no último trimestre de gravidez.

No parto, meu filho teve hipotermia e foi para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Com cinco dias de vida, os médicos descobriram uma infecção sem foco e prescreveram antibióticos. Simultaneamente a isso, começaram os quadros de hiperglicemia e foi necessário aplicar insulina.

Porém, apesar de todos os membros da equipe médica terem sido maravilhosos e atenciosos conosco, era nítida a falta de preparo para cuidar do Gaspar devido à raridade do problema. Segundo me informaram, o diabetes neonatal atinge um bebê em cada 300 mil, por isso não havia no hospital protocolo para o tratamento. Já minha família e eu nem sabíamos que crianças podiam ter diabetes.

Foi uma luta tentar manter o nível de açúcar do Gaspar sob controle. A aplicação da insulina lenta provocava picos de glicemia, que, durante horas, ficava acima de 500 mg/dl. Depois vinham as hipos e meu filho tinha que tomar glicose na veia. A endocrinologista pediátrica do hospital chamou uma especialista em diabetes neonatal, que logo fez contato com a gente. Essa médica foi um verdadeiro anjo e nos tranquilizou falando que tudo daria certo, que nosso menino poderia ter uma vida normal e com qualidade. Ela nos orientou sobre a melhor terapia e tecnologia para o tratamento do Gaspar.

Assim, com apenas dez dias de vida, meu filho passou a usar uma bomba de infusão de insulina, que libera doses mínimas do hormônio e ajuda a evitar os picos glicêmicos. Mas até para colocar o aparelho foi difícil, pois o Gastar era muito pequeno, pesava somente 1,900 kg e media só 43 cm. Hoje me dou conta do quanto a enfermeira da Medtronic teve que ser forte para não demonstrar apreensão na hora de instalar manualmente o cateter no corpinho dele. Conseguimos também o sensor de glicose e a partir de então foi possível monitorar melhor a curva glicêmica e fazer os ajustes diários das doses de insulina. Com a situação controlada, ele teve alta e todos nós ficamos aliviados. De lá para cá, o Gaspar já passou por muitas hipos e hiperglicemias, mas é um garoto feliz, cheio de saúde, sem privações e faz tudo que qualquer criança de dois anos faz.