Viajar por diversos países, conhecer pessoas e culturas diferentes. Muita gente tem essa vontade. Mas será que é possível se aventurar por aí na companhia do diabetes?

Diagnosticado com diabetes aos quatro anos de idade, o designer e blogueiro Denis Vivan, 33, natural de Bauru, interior de São Paulo, não vê barreiras que o impeçam de fazer o que mais gosta: colocar o pé na estrada. Na mala, há sempre o “kit pâncreas”, com as insulinas Detemir e Lispro, e acessórios para medir a glicemia e mantê-la nos eixos. No banco ao lado, a esposa Michelle, companheira de jornada.

A bordo de uma picape, que ele mesmo adaptou em um pequeno motorhome com quarto e cozinha, o casal já percorreu a América do Sul e vários estados brasileiros. “Optamos por passeios na natureza, como camping, trilhas e cachoeiras. A vida ao ar livre nos encanta! Acampar é uma forma barata e divertida de conhecer lugares lindos”, diz Vivan.

Nas conversas com quem encontra pelo caminho, frequentemente escuta comentários e comparações do tipo: “Nossa, mas você é diabético!” ou “Fulano tem diabetes e nunca sai de casa. Coitado”. No entanto, em vez ficar desanimado ou chateado com as opiniões alheias, ele rebate: “Com os devidos cuidados, um diabético pode fazer tudo que uma pessoa sem a doença faz, inclusive grandes viagens.”

Cada destino traz uma experiência nova e Vivan precisa descobrir técnicas e adotar certos cuidados para não prejudicar o controle glicêmico. Para conservar os medicamentos na temperatura ideal, por exemplo, o casal leva uma pequena geladeira de 12 volts que, ligada no acendedor de cigarros do carro, dá conta do recado.

Ficar atento aos horários de monitoramento da glicemia e de aplicação da insulina, além de checar sempre se há insumos suficientes na mochila antes de sair para a trip, são regrinhas essenciais para evitar sustos e situações perigosas, como a que eles viveram na primeira viagem, em 2009, no Parque Estadual do Ibitipoca (MG).

“Às sete horas da manhã, iniciamos uma trilha de 20 km pelas montanhas do parque. Depois de 15 km percorridos e algumas hipoglicemias, notei que meus doces e alimentos tinham acabado. E o pior: estávamos sem o Glucagon. Não vimos praticamente ninguém na trilha. Minha glicose estava 70 mg/dL e ainda faltavam quase 5 km para chegar no nosso destino.

Bateu aquele desespero! Eu disse para a Michelle ir na frente procurar ajuda, enquanto eu seguia atrás, mais devagar. Felizmente, cheguei ao final da trilha e lá tinha um restaurante, que até parecia uma miragem para mim. Água com açúcar, refrigerante normal, um prato feito no capricho e um aprendizado para toda a vida”, recorda o jovem designer.

Na internet, Denis conta suas aventuras, compartilha fotos e dicas de roteiro com o objetivo de estimular outras pessoas a viajarem, gastando pouco, vivendo experiências inesquecíveis e superando os limites do próprio corpo.

Blog: www.revolteio.com

Facebook: facebook.com/revolteio/

 

Este conteúdo faz parte sessão Diário de Bordo da Edição 7 da Revista Momento Diabetes. Gostaria de ver mais? Compre aqui a sua.