Alessandro Dreyer largou tudo, menos o controle do diabetes, para acompanhar a esposa em uma viagem a Paris | Por Bianca Fiori

 

A experiência de viver fora do Brasil rendeu ao empresário Alessandro Dreyer, 33 anos, muito aprendizado e desafios incríveis. Em 2014, a esposa dele se mudou para Paris a fim de fazer o doutorado, e o gaúcho resolveu acompanhá-la.

Conviver com o diabetes tipo 1 em outro país não foi problema para ele. O empresário, que também tem uma irmã com a condição, aprendeu desde cedo a lidar com a doença. “No dia 31 de julho celebrei dez anos de diagnóstico. Eu realmente comemorei, pois o diabetes me proporcionou uma grande melhora na minha qualidade de vida, me apresentou à corrida de rua e colocou dezenas de amigos doces perto de mim”, afirma.

A corrida se tornou algo importantíssimo para Alessandro que, assim que aterrissou em solo francês, começou a desvendar de bike o país mais romântico que existe. “O que mais me marcou no tempo em que vivi lá foi participar da Maratona de Paris, uma das mais famosas do mundo e, principalmente, acompanhar de pertinho o Tour de France”, conta. No Tour de France, os ciclistas percorrem aproximadamente 4.000 km em apenas 23 dias. A prova passa por diversas cidades da França e termina no Arco do Triunfo, na capital. “Na primeira semana fiz o percurso de bicicleta junto com os atletas. Depois voltei para casa e acompanhei a chegada em Paris”, lembra.

Mesmo com toda essa agitação física, a glicemia do esportista se manteve em ordem na maior parte do tempo em que morou na Europa. “A dificuldade maior foi com o frio intenso, pois meu corpo não estava acostumado. Assim que o inverno começou, eu acordava todas as madrugadas com hipos sérias. Em alguns dias, minha glicemia chegou a ficar abaixo de 40 mg/dL, algo que nunca tinha acontecido desde o diagnóstico”, relata.

À distância, a endocrinologista brasileira ajudou Alessandro a reprogramar a bomba de infusão de insulina e as glicemias estabilizaram novamente.

A culinária francesa também foi um desafio para ele, que precisou se controlar para não extrapolar na quantidade de pães, queijos e vinhos.

Alessandro não precisou utilizar a assistência médica francesa, já que saiu daqui com os insumos suficientes para o período em que ficaria fora. “Conheci algumas pessoas em tratamento com bomba de infusão e outras com aplicação de injeções e todas tinham 100% do tratamento custeado pelo governo. Estrangeiros, dependendo da condição, também têm este direito”, relata. “Não cheguei a participar de comunidade de diabéticos por lá, mas conheci alguns docinhos e fizemos uma amizade bacana. Sem dúvida, essa experiência de viver na França foi incrível. Quem tiver a oportunidade tem que ir”.