Diagnosticada aos 9 anos, nutricionista focou sua carreira em mostrar a outras pessoas com diabetes como é possível viver bem.

 

Meu nome é Juliana Baptista, tenho 38 anos, sou nutricionista e descobri o diabetes aos 9, numa época em que não havia tantos recursos como hoje. Eu aplicava insulina com seringa duas vezes ao dia e, para saber como estava minha glicemia, usava glicofita, um teste que mede a glicose na urina. Aos 17 anos, entrei na faculdade de nutrição. Estudei de tudo um pouco na área, até que minha melhor amiga, que também tem diabetes, me apresentou a contagem de carboidratos, um método até então desconhecido no Brasil. Decidi que queria me especializar no assunto e assim poder ensinar essa prática para os todos os meus pacientes.

Acabei me envolvendo com a diretoria jovem da ADJ Diabetes Brasil e comecei a participar de grupos, palestras e diversas atividades da associação. Nesse período também fui para Alemanha fazer estágio e buscar mais conhecimento sobre a contagem de carboidrato. Quando voltei, minha endocrinologista sugeriu que eu usasse a bomba de infusão de insulina.

Resisti no início, porque gostava de usar caneta e não queria carregar um aparelho o tempo todo no meu corpo. Até que um dia, muito estressada após o trabalho e com a glicemia igual a uma montanha-russa, resolvi aceitar a sugestão da minha médica e passei a usar a bomba e o sensor de monitorização contínua de glicose. Minha vida mudou! Consegui obter uma hemoglobina glicada de 6.8% e hoje não consigo mais imaginar a minha vida sem o sistema integrado.

Resolvi, então, dividir essa experiência pessoal com outras pessoas. No meu consultório, 90% dos pacientes têm diabetes. Muitos usam bomba e eu os oriento na hora de instalar o aparelho. O fato de ter a doença me ajuda a compreender melhor as necessidades deles e consigo auxiliá-los na adesão ao tratamento.

Também sou voluntária na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, onde ensino contagem de carboidratos, e administro o grupo D.O.N.E. (Diabetes, Obesidade, Nutrição e Educação), que promove dinâmicas em grupo, palestras e atividades envolvendo os pacientes e incentivando-os a ter uma alimentação saudável e a praticar atividade física.

Com o grupo já organizei flash mobs, por ocasião do Dia Mundial do Diabetes (14 de novembro). Atualmente fazemos o Pedal Diabetes, que reuniu mais de 200 participantes na 4ª edição.

Eu amo meu trabalho e todas as atividades que exerço em prol do diabetes. Faço com gosto, principalmente sabendo que o paciente vai melhorar seu controle, aceitar a doença ou pelo menos enxergá-la de uma forma mais positiva. O controle pode ser trabalhoso, mas com o apoio de amigos e familiares, tudo fica mais fácil. Com a bomba de insulina e o sensor de glicose então, mais fácil ainda.