Quando descobriu o diabetes tipo 1 do filho Max David, em abril de 2013, a ambientalista mato-grossense Andréia Kruger decidiu deixar a carreira de funcionária pública para se dedicar à área da alimentação saudável e, assim, cuidar mais de perto do tratamento do caçula. Confira a seguir o depoimento desta mãe-pâncreas à revista Momento Diabetes.

 

“No dia 03 de abril de 2013, o diabetes tipo 1 entrou na nossa vida. Os sintomas surgiram inesperadamente e meu filho, então com três anos e meio de idade, já estava em cetoacidose (coma diabético). Aquela foi uma noite de horror! Chegamos à unidade de terapia intensiva (UTI) de Cuiabá (MT) desesperados, sem imaginar que ele ficaria internado lá durante 12 dias.

Lembro de sentir um misto de desespero e necessidade de força quando o diagnóstico se confirmou. Eu não sabia nada sobre diabetes. Para mim, isso não era doença de criança. De qualquer forma, só conseguia pensar que o mais importante era trazer meu filho de volta para casa sem sequelas.

Eu estava completamente sem chão, sem informação e só pedia pela vida do meu filho. Depois de alguns dias na Unidade de Observação, fomos para o quarto e aí a realidade bateu de frente. Parece que nem todos os médicos e profissionais de saúde sabiam lidar bem com o diabete. As glicemias caíam de 499 mg/dL para 30 mg/dL rapidamente, e, apesar de estar dentro de um hospital particular, precisei contratar uma endocrinologista pediatra para tratar meu filho.

Para segurança do meu pequeno, comecei a pesquisar tudo sobre diabetes e conhecer exatamente que doença era aquela com a qual eu estava lidando de forma profunda. Queria entender as variações de glicemia, as interferências alimentares, a expectativa de vida, os tipos de tratamento. Tudo, tudo!
O diabetes mudou a minha vida, mudou meus valores. Hoje, conheço muitas possibilidades para uma vida com diabetes, e que isso é questão das escolhas que fazemos no nosso dia a dia. Atualmente, tenho a melhor equipe de saúde que poderia ter para cuidar do meu filho. Tento incentivar a todos nessa situação a lutar por um futuro sem sequelas e isso tem me deixado cada vez mais forte para manter controladas as glicemias do meu filho.

Nós escolhemos a qualidade de vida, mudamos a nossa alimentação, nossa rotina, e hoje, controlar a glicemia é algo tão natural que não sentimos por furar o dedinho, não sentimos por deixar de comer certos alimentos em exagero, nem sentimos. Isso é para um bem maior, que é a estabilidade da glicose no corpo.

O caminho para a aceitação é difícil. Muitas vezes significa renunciar hábitos, mudar rotinas, aprender a sonhar diferente. Acredito que nossa experiência de aceitação e luta por uma vida sem sequelas ajude outras mães e pais a se engajarem mais nesse controle, a ver o diagnóstico de outra forma.

Buscar informações sobre diabetes é um diferencial, como também o é ter conhecido muitas pessoas que vivem a mesma realidade que eu e meu filho. Não posso dizer que não fraquejo. Às vezes, bate o cansaço, as forças parecem sumir, então eu olho para meu Pequeno Valente em toda a sua alegria e resignação e descubro que não estou sozinha: “Ei, passamos por isso e estamos aqui, com uma melhor qualidade de vida, uma infância como outra qualquer e felizes, isso vai passar!”

A minha vida e da minha família deu um giro de 360º depois da descoberta do diabetes. Precisou mudar de escola para encontrar uma disposta a possibilitar ao garoto um dia a dia normal de uma criança, mas com os cuidados que ele requer. Digo a todos que conviver com a doença não é fácil. “É uma bomba-relógio. Você acorda seu filho dando ‘bom dia’ já com duas canetas de insulina e depois mais insulina na hora do almoço, no meio da tarde e à noite, sempre na exata medida da necessidade. É difícil! E furar os dedinhos várias vezes ao dia? Mas aqui estamos, firmes e fortes. Uma nova realidade essa que não me impossibilitou de perder os sonhos que sempre tive para o meu filho. Para ajudá-lo, renunciei à carreira de funcionária pública e também a carreira jurídica. Migrei para aérea da saúde, hoje sou estudante de nutrição e tenho aprendido muito para ajudar meu filho.

Procuro ajudar pessoas com diabetes e outras mães de docinhos através das redes sociais e canais de comunicação como WhatsApp, trocando experiências e informação para que mais gente possa lidar com o diagnóstico e o tratamento desta doença de forma mais leve e saudável.

Agradeço a Deus e a minha família por me apoiar nas renúncias profissionais e me ajudar a administrar a maior empresa do mundo que se chama FILHO.”

 

NOTA DA REDAÇÃO
Andréia Kruger é colaborada da Momento Diabetes e contribui com receitas deliciosas que prepara para o filho Max em casa. Quer conferir as dicas de pratos doces e salgados desta jovem mãe-pâncreas? Confira na edição 07 da Momento DelíciaCompre aqui.