Em 1998, Danilo Busseni deixou o clima quente da Bahia para explorar novas experiências em Londres
Por Bianca Fiori

Por possuir cidadania italiana, foi fácil para Danilo Paim Busseni, na época com 20 anos e estudante de administração, conseguir residência e emprego em Londres  em 1998, quando resolveu mudar de ares e de país. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos dez anos de idade, a preocupação dele nessa mudança era relacionada ao tratamento médico que teria na terra do nevoeiro.

Felizmente, isso não foi um problema. “Do dia em que cheguei a Londres até minha volta para o Brasil, nunca precisei me preocupar com insulina, caneta, lancetas, etc. Na Inglaterra, o acesso ao tratamento funciona que é uma beleza. Tudo simples, prático e sem burocracia”, avalia.

Danilo viveu 8 anos na Inglaterra, sendo sete deles em Londres e um em Manchester. Segundo ele, o país possui um sistema, chamado General Pratice (GP), semelhante ao das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) brasileiras. Assim que chegou ao GP, ele se consultou com um médico e apresentou a receita brasileira. Saiu de lá com uma receita inglesa para retirar gratuitamente, em qualquer farmácia, todos os medicamentos e insumos que precisava para controlar o diabetes. “A única obrigatoriedade que eu tinha era de voltar todo mês ao GP para pegar uma receita atualizada e, a cada três meses, passar por uma consulta com médico e nutricionista”, relata.

Na opinião dele, os ingleses são excelentes na área de pesquisas, entretanto, no trato com o paciente deixam um pouco a desejar. “Aqui no Brasil minha médica e minha nutricionista sempre me recomendaram regime e diziam para eu não exagerar nos doces e massas, a fim de ter uma vida saudável e controlar o diabetes. Lá, o médico e principalmente a nutricionista que conheci eram muito liberais nesse sentido e me diziam para comer o que eu bem entendesse e na quantidade que quisesse, pois depois era só corrigir com insulina. Mas eu não seguia os conselhos deles e preferia manter minha dieta habitual”, conta Danilo.

Nem tudo foram flores. Após sofrer um trauma na perna depois de uma partida de futebol, o estudante foi levado ao hospital. O médico residente de plantão errou no diagnóstico e Danilo teve que voltar
ao Brasil para fazer uma cirurgia e todo o tratamento. Mesmo assim, ele destaca os pontos positivos do país da rainha. “A segurança, a qualidade de vida, a educação e o fácil acesso à medicação para portadoresde doenças crônicas, como o diabetes, são espetaculares. Por isso, em breve, vou voltar”, afirma Danilo, que hoje é casado com Daniela, que também tem diabetes tipo 1, e pai do pequeno Lorenzo, de 5 anos.