Caroline Naumann tem 29 anos, 15 deles convivendo com diabetes. Criou o blog Ao Trabalho para superar o diagnóstico, e descobre, a cada dia, um novo jeito de encarar as coisas.

Não importa quanto tempo passe: uma mãe sempre se sentirá responsável pela saúde do filho, principalmente se ele tiver uma doença crônica. Tenho diabetes há quase 15 anos e até hoje minha mãe se sente responsável pela minha alimentação, pelo meu bem-estar, pelo controle da minha glicemia, por tudo, inclusive por aquilo que está absolutamente fora do alcance dela.

Sei que não adianta dizer que cresci e que sei me cuidar. Talvez ela nunca aceite a ideia de que já não está mais no comando e é bem provável que ainda perca algumas noites de sono se preocupando comigo. Acho que eu até gosto disso, mas, mãe, preciso contar que me flagrei adulta. As responsabilidades no trabalho, o começo da vida a dois, as contas para pagar são algumas situações que indicam que estou em uma nova fase da vida. Mas posso dizer, também, que me percebi adulta no dia em que passei mal, corrigi a hipo e aguardei sozinha a normalização da glicemia. No dia em que procurei uma nova médica e fui para a consulta sozinha.

Lembra das inúmeras vezes em que eu chamava “MÃEEEEEEE”, daquele jeito que, de longe, você sabia que era eu? Eu precisava do seu colo, do seu abraço e da sua ajuda. Hoje, porém, não preciso tanto, porque você me ensinou a andar olhando para a frente, a limpar as lágrimas sempre que houver dor, a rir de mim mesma. Me ensinou a medir a glicemia sozinha, a interpretar os resultados e saber o que fazer com os números no visor. Me incentivou a falar sobre minha condição, a me cuidar e seguir meu caminho. Mais do que ensinar, você foi exemplo. Estudou o diabetes como ninguém, passou dias buscando alternativas e tratamentos melhores. Moveu mundos e fundos para que eu tivesse uma vida normal e saudável.

Por isso, esta noite, mãe, quero que você deite a cabeça no travesseiro sabendo que está tudo bem. Que mesmo no descontrole, você não precisa ficar com os olhos arregalados,
olhando para o teto em busca de uma saída. Agora é comigo. Você criou uma pessoa com o que havia de melhor em você. Deu o que tinha e o que não tinha para me fazer feliz, saudável e sólida. A tecnologia evoluiu e consegue evitar grande parte dos fantasmas que nos tiram o sono. Na medida do possível, estou aproveitando o que ela pode me oferecer e aplicando o que aprendi com você. Mãe, deixa hoje ser eu quem te abraça e diz baixinho: está tudo bem.

Para todas as mães que já perderam o sono preocupadas com a saúde dos filhos. Tenham certeza que o cuidado e o carinho de vocês nos fazem pessoas mais fortes e saudáveis, prontas para encarar o mundo a cada amanhecer.