Faltam apenas 9 anos para o fim do prazo e quatro maratonas já estão contabilizadas no currículo dessa jovem que descobriu o diabetes tipo 1 há 15 anos. A história de Carla é parecida com a de tantas outras pessoas com a disfunção. Antes do diagnóstico, ela emagreceu 8 kg repentinamente, tinha muita sede, urinava excessivamente, sentia fraqueza e cansaço fora do comum, até que um dia teve uma crise aguda de cãibras nas pernas. Foi então que sua mãe decidiu procurar ajuda. No consultório, o médico solicitou um exame de sangue, que ficou pronto no dia seguinte e confirmava o diabetes mellitus tipo 1.

Carla não precisou ficar internada por causa do diabetes, mas mesmo assim, toda a família ficou em choque com a notícia. “Minha mãe ficou totalmente perdida, pois não sabia quase nada sobre diabetes. Começamos a procurar médicos para entender aquele diagnóstico e como viver bem com ele. Cheguei a passar por oito endocrinologistas. Se considerássemos o que cada um deles falava, eu iria viver à base de água somente, pois cada um deles restringia um grupo de alimentos das minhas refeições”, conta.

Certo dia, Carla assistiu a uma palestra sobre diabetes no Hospital Cruz Azul, em São Paulo, e tomou conhecimento do trabalho da ADJ Diabetes Brasil, uma associação de apoio a pessoas com a doença. “Passei a frequentar a ADJ e descobri que eu podia ter uma vida normal mesmo tendo diabetes. Aprendi a fazer contagem de carboidratos, conheci nutricionistas, médicos especialistas no assunto, participei de grupos de jovens com diabetes, fui para acampamentos, fiz amigos e me tornei parte desse mundo”, relata.

Foi na ADJ também que ela conheceu a corrida de rua e se apaixonou. Começou correndo 5 km em uma prova de revezamento. Hoje, é considerada ultramaratonista; já encarou provas de 75 km e representou o Brasil em uma maratona nos Estados Unidos, promovida pela Medtronic, o Global Heroes Twin Cities Marathon.

Em 2014, veio a experiência da maternidade, que, de forma alguma a afastou do sonho de completar 42 maratonas até os 42 anos. No blog Diabetes Sua Linda, a multifacetada esportista mostra uma relação muito leve de convivência com o diabetes, conta sobre as corridas que participa e divide seus planos com os leitores. “Estou com 33 anos de idade e tenho quatro maratonas no currículo. A meta agora é correr cinco por ano. Assim, daqui a nove anos, completo as 42 maratonas que prometi a mim mesma. Sempre com a glicemia em ordem e muito feliz”, declara. Alguém duvida que ela vá conseguir?