Um dos pilares do tratamento do diabetes é a monitorização da glicemia, afinal, só é possível avaliar aquilo que medimos. Por isso, quem tem a disfunção precisa checar sempre a taxa de glicose no sangue para saber como agir de acordo com o resultado.

Com o avanço da tecnologia, o acesso aos medidores de glicemia – os chamados glicosímetros – ficou mais fácil e hoje qualquer pessoa com diabetes pode – e deve! – carregar um deles na bolsa. Há modelos superdiscretos e simples de manusear, mas todos, até então, exigiam do usuário uma gotinha de sangue, tirada da ponta do dedo. Em julho deste ano, no entanto, chegou ao mercado brasileiro um produto inovador, que substitui as picadas no dedo por um sistema de escaneamento. Lançado pela Abbott, o FreeStyle Libre é um sensor pequeno (do tamanho de uma moeda de 1 real), que, colocado na parte de trás do braço, mede os níveis de glicose continuamente e registra tudo na memória dia e noite.

Para conferir o resultado, basta passar o leitor sobre o sensor (e pode ser até por cima da roupa!) e conferir, na tela do monitor, informações sobre o seu controle glicêmico. Muitas pessoas já estão utilizando o produto e nós, da revista Momento Diabetes, testamos a novidade e contamos a seguir o que achamos desta experiência. Mas antes, confira as principais dúvidas sobre o FreeStyle Libre respondidas por Sandro Rodrigues, country manager da área de cuidados para diabetes da Abbott no Brasil.

O FreeStyle Libre precisa ser calibrado?
O sensor do FreeStyle Libre já vem calibrado de fábrica, por esta razão não é necessário fazer a ponta de dedo. Uma vez ativado, o sensor começa a registrar as leituras de glicose automaticamente após um período de aquecimento de 1 hora.

No primeiro dia de uso, o teste de ponta de dedo apresentou resultados muito diferentes do FreeStyle Libre. Isso é normal?
No primeiro dia de uso, 99,5% dos resultados de glicose do sistema FreeStyle Libre ficam dentro do intervalo aceitável das medições em comparação ao teste de glicose no sangue. Assim como é comum com sensores que monitoram a glicose, a exatidão geralmente melhora após o primeiro dia de uso. Embora existam muitas teorias sobre o motivo disso ocorrer, a mais aceita é que os sensores precisam se aclimatar aos seus ambientes fisiológicos após a inserção no primeiro dia de uso. Durante este período de adaptação é possível utilizar o escaner normalmente e, caso os valores não coincidam com os sintomas, é recomendado que se faça uma ponta de dedo para confirmação.

Por que os resultados do FreeStyleLibre são diferentes dos testes de ponta de dedo?
Existe uma diferença fisiológica, uma vez que em um teste de ponta de dedo a glicose analisada é a presente no sangue e, no caso do FreeStyle Libre, a glicose analisada é a proveniente do líquido intersticial. Esta glicose demora mais tempo para aparecer no líquido intersticial do que no sangue, por isso, pode haver diferenças entre os resultados das medições.

Se houver esta diferença, o que fazer?
Neste caso, o paciente que utiliza o FreeStyle Libre deve observar como está a seta de tendência da tela do leitor: se ela sinalizar 90 graus para cima ou para baixo, orientamos que se façam os exames na ponta de dedo (usando o glicosímetro) e as correções necessárias considerando esses resultados. No estudo realizado para testar a precisão e eficácia do FreeStyle Libre foram comparadas mais de 13 mil medições entre testes de ponta de dedo e testes no sensor. Em 99,7% dos casos, os resultados estavam dentro do intervalo aceitável das medições. Esse estudo concluiu que o FreeStyle Libre é clinicamente provado por ser acurado, isto é, preciso, estável e consistente, por meio de cada sensor que dura até 14 dias.

Mesmo com o sensor, é recomendado medir a glicemia na ponta de dedo?
Sim, há três circunstâncias nas quais o teste de ponta de dedo é necessário para conferir as leituras da glicose do Sistema Flash de Monitoramento da Glicose: durante períodos de rápida alteração nos níveis da glicose (a glicose do fluído intersticial pode não refletir com precisão o nível da glicose no sangue); para confirmar uma hipoglicemia ou uma iminente hipoglicemia registrada pelo sensor ou quando os sintomas não corresponderem às leituras do FreeStyle Libre, o Sistema Flash de Monitoramento da Glicose.

De quanto em quanto tempo se deve fazer a leitura do FreeStyle Libre?
Você pode fazer quantas leituras de glicose desejar enquanto o sensor estiver em uso. Porém, para se obter um cenário glicêmico das últimas 24 horas, é necessário que você faça o scan pelo menos uma vez a cada 8 horas.

É possível ler os resultados obtidos pelo FreeStyle Libre com outro aparelho?
Não, pois a leitura realizada pelo leitor é feita em um sensor de cada vez.

Os dados podem ser baixados pelo usuário ou somente pelo médico?
Por ambos! O software está disponível no site www.freestylelibre.com.br

Tem algum problema em tomar sol usando o FreeStyle Libre?
Não, desde que observadas as temperaturas recomendadas para o funcionamento do sistema, entre 10 e 45°C.

Quem faz atividades aquáticas pode usar o sensor?
Sim, ele pode ser usado durante banho de banheira ou de chuveiro, natação e exercícios físicos. Mas é importante salientar que o sensor não deve ser mantido abaixo de um metro de água e não deve ser submerso em água por mais de 30 minutos.

E viajar de avião utilizando o FreeStyle Libre, pode?
Sim, mas recomendamos que o leitor seja desligado durante o voo e não seja usado para fazer o escaneamento. Embora não haja nenhum problema em passar por máquinas de raio x utilizando o sensor, orientamos os usuários a notificarem antes a equipe de segurança do controle do aeroporto.

Em caso de dúvida, como entrar em contato?
Basta ligar para o telefone do Serviço de Atendimento ao Consumidor da Abbott Center (0800 703 0128) ou enviar um e-mail para abbottcenter@abbott.com. O usuário também pode fazer o download do aplicativo WhatSAC (disponível para Android ou IOS).
Produto registrado na Anvisa sob RMS 80146501903

Testamos!

“Sou diabética há mais de 20 anos e checar a glicemia várias vezes ao dia é só mais um detalhe na minha rotina. Já utilizei diversos tipos de glicosímetros para fazer a ponta de dedo, assim como já apliquei insulina com seringa, caneta e hoje uso bomba de infusão. Experimentei o FreeStyle Libre e fiquei encantada. Primeiramente porque não dói nada para aplicar o sensor no braço – não senti nem aquela fisgada, bastante comum nos demais aparelhos. No primeiro dia, a glicemia ficou instável, como era de se esperar, já que o sensor demora um pouco para se acomodar ao corpo. Porém, do segundo dia em diante foi perfeito. Eu fazia a ponta de dedo, verificava no sensor da bomba e olhava o Libre e as medições eram praticamente as mesmas. Mas o que mais gostei mesmo foi ficar duas semanas inteiras sem ter que ficar picando o dedo para medir a glicemia (só fazia isso para calibrar o sensor da bomba de infusão). Um descanso abençoado para as mãos!”

Bianca Fiori, jornalista da revista Momento Diabetes e autora do blog Mãeratonista Diabética