Insulina engorda, deixa cego, piora o diabetes… São muitas as dúvidas em torno do hormônio que já salvou e continua salvando milhões de vida. Descubra a seguir o que é verdade e o que é boato sobre o assunto

1. Insulina vicia.

Mito, e dos grandes. A insulina é fabricada pelo pâncreas e todos nós precisamos dela para viver. Porém, portadores de diabetes tipo 1, por motivos ainda não conhecidos, desenvolvem um processo autoimune, no qual as células do próprio corpo destroem umas às outras e impedem a produção natural do hormônio. Por esta razão, esses pacientes
precisam administrar manualmente a insulina e dependem dela para sobreviver, mas é diferente – muito diferente – de uma dependência química, como acontece com o uso de outras drogas ou do álcool. A aplicação da insulina é uma dose necessária de saúde, não um vício.

2. Insulina causa cegueira.

Não, não causa. O perigo está na falta dela, pois o diabetes não controlado, ao longo dos anos, pode desencadear uma série de complicações graves, como a retinopatia diabética, cuja evolução culmina na perda total da visão. Por não apresentar sintomas na fase inicial, o diabetes tipo 2 é identificado geralmente em estágio avançado, quando
alguns danos à saúde já começaram a se manifestar. Muitas vezes, para tentar recuperar o equilíbrio glicêmico, o médico recomenda o uso da insulina. Por isso, muita gente ainda associa o medicamento à cegueira, quando, na verdade, o problema já estava instalado.

3. O tratamento com insulina envolve várias aplicações por dia.

Depende. Cada caso deve ser avaliado pelo médico, que vai prescrever os medicamentos e a dosagem adequados ao paciente, de acordo com o seu perfil, idade, estilo de vida, entre outros fatores. Pessoas com diabetes tipo 2 nem sempre fará uso de insulina e, quando o fizer, não necessariamente tomará várias vezes. Hoje, há diversas classes de insulina no mercado, com efeitos mais estáveis e prolongados, que flexibilizam o tratamento.

4. Insulina engorda.

Entre uma série de boatos, a afirmação acima é verdadeira. Antes do diagnóstico, é comum a pessoa emagrecer
sem motivo aparente. À primeira vista, isso pode parecer algo bom, afinal, os quilinhos extras estão indo embora,
olha que beleza! Mas não é bem assim. Como o pâncreas do diabético deixa de fabricar insulina ou a insulina que é produzida não está conseguindo cumprir bem o papel de facilitar a entrada da glicose (energia, lembra?) nas células, estas, por sua vez, deixam de ser alimentadas e a perda de peso acontece.

Manter o corpo nessas condições é altamente arriscado. Para quem tem diabetes tipo 1, o remédio é tomar insulina e
depois ajustar as doses conforme a alimentação. Quem tem o tipo 2, começa se tratando com medicamentos orais, ajustes no plano alimentar e, em alguns casos, pode fazer uso da insulina para ajudar a equilibrar os níveis de glicose. Ah, a prática de atividade física também contribui para ambos os casos, pois favorece a ação do hormônio no organismo. Portanto, interromper o uso de insulina ou reduzir as taxas para não engordar, nada mais é, do que uma autossabotagem. Fuja dessa ideia!