Além dos inúmeros benefícios que corrida traz ela é considerada o esporte mais democrático que existe. Afinal, não importa o lugar onde você está, sozinho ou acompanhado, com chuva ou sol, no frio ou no calor, basta disposição para começar.

Aí está a parte mais complicada desse exercício, dar o ‘start’. Muitas pessoas dizem que já se cansam só de ve os outros correndo. Porém, uma vez que começam não querem parar mais. Aliás, eu era uma dessas pessoas que me cansava só de olhar, mas aí um dia resolvi sair da minha zona de conforto e minha vida mudou. Hoje amo correr e me sinto mal quando preciso faltar em algum treino.

Correr ou caminhar regularmente faz um bem tremendo para o corpo, a mente e a alma. Doenças como diabetes, hipertensão arterial e osteoporose podem ser controladas e até evitadas. O cérebro fica blindado contra a demência. O humor e a sensação de bem-estar melhoram devido a liberação dos hormônios endorfina e serotonina, que são produzidos a partir de um estímulo físico. Assim, não há chance para a depressão se instalar. E, ainda, ajuda a perder peso.

Quem tem diabetes, pode correr?! A resposta é SIM! Um dos conselheiros da Momento Diabetes, o educador físico, ultramaratonista e portador de diabetes tipo 1, Emerson Bisan, argumenta: “Pais e cuidadores ainda acham que o diabético é incapaz ou restrito as atividades físicas. Trabalho muito tentando desmistificar isso”.

Segundo Bisan, isso pode ser decorrente da superproteção, da falta de informação ou até mesmo o temor de acontecer algum incidente durante os exercícios. “As crianças são as maiores vítimas dessa superproteção. Ela acaba carregando essa autoproteção para o resto de sua vida, não só esportiva, mas também profissional, cultural, turística e social. Ainda temos profissionais dispensando alunos com diabetes das aulas de Educação Física”, lamenta.

A prática da corrida é um esporte individualizado, que leva em conta o perfil de cada um. No caso do portador de diabetes, ele deve sempre tomar alguns cuidados extras, como se precaver e se atentar ao seu comportamento glicêmico antes, durante e após a prática do esporte para evitar a hipoglicemia.

Por esse motivo, o profissional orienta seus alunos ‘docinhos’ a sempre correrem munidos de ‘corretores’ de glicose, como os sachês de gel, mel, balas e etc. Ele também fala da importância do aval do médico endocrinologista e reforça a importância das pessoas manterem os exames em dia. Além de sempre andar com uma identificação dizendo que tem diabetes, tipo: pulseirinha, carteira, medalha e até tatuagem. “A identificação facilita nos primeiros socorros em caso de acidente, desmaios ou crises de hipoglicemia”.

Para quem pratica corrida à tarde ou à noite, a atenção na glicemia deve ser redobrada. Emerson esclarece que o esporte pode deixar o metabolismo acelerado até 24 horas depois de praticá-lo, aumentando assim os riscos de uma hipoglicemia noturna.

Manter-se hidratado é outra recomendação importantíssima. Bisan instrui que no final das atividades e, em casos de hiperglicemia pós exercícios, beber água é essencial, pois a alta da glicose no sangue potencializa a desidratação. Mas fica o alerta: “É preciso ficar atento aos líquidos isotônicos, pois na maioria das vezes eles contêm muito carboidrato”.

O educador físico finaliza. “Quem está acostumado a caminhar e acha que nunca vai correr, pode acreditar que um dia vai. Nosso corpo se adapta naturalmente e começa a aumenta o ritmo das passadas até nos tornamos corredores em busca de mudanças para melhor”.