É muito bom sair com os amigos para se divertir e curtir a noite ou o final de semana, por exemplo. Mas, e quem tem uma disfunção que precisa de monitoramento constante, como é o caso do diabetes, pode se dar ao luxo de ter esses momentos? É possível ter uma vida social agitada?

Para as duas perguntas a resposta é a mesma: sim, é possível! No entanto, assim como tudo que fazemos na vida, equilíbrio é a chave para o bem-estar. No caso de quem tem diabetes, outra expressão mágica deve ser levada em consideração: o bom senso. É ele que vai determinar se você pode “se jogar” na balada ou é melhor, naquele determinado dia, ficar de boa.

Claro que, quando se tem uma doença crônica, alguns cuidados precisam ser tomados. Saber a hora em que se deve medir a glicemia, o momento certo de dar aquela saidinha para tomar insulina, escolher, com cautela, o que vai beber e não esquecer nunca de se alimentar, nem que seja para saborear um petisco, são alguns deles.

O problema ocorre quando o jovem não aceita a sua condição, revolta-se e coloca em risco a própria vida. Isso acontece, muitas vezes, por medo de não conseguir realizar as atividades comuns do dia a dia, ou de perder as habilidades corporais e intelectuais, ou, ainda, por achar que não vai conseguir realizar seus sonhos. “Cuidar do distúrbio implica em seguir regras e respeitar horários de medicação e alimentação”, explica a psicóloga Guacyra da Penha Guaranha, educadora em diabetes pela IDF, a Federal Internacional de Diabetes.

Entretanto, agindo com maturidade, a pessoa pode, sim, frequentar baladas e sair para se divertir. É o caso de Nathália Noschese, 20 anos, estudante de relações públicas e portadora de diabetes tipo 1 desde bebê. Ela costuma sair bastante e, mesmo não gostando de algumas implicações que o diabetes lhe impõe, ela encara o fato numa boa e busca saídas para lidar com isso: “Todos meus amigos sabem do meu diagnóstico. Quando saímos, digo a eles o que fazer caso eu passe mal”, conta a estudante, que já passou por graves crises de hipoglicemia (queda acentuada de açúcar no sangue) e sabe que, para revertê-la, deve-se ingerir carboidrato simples, que pode ser uma latinha de refrigerante normal ou uma colher de açúcar diluído em água.

Amizade: um santo remédio

E Nathália faz bem em avisar os amigos. Guacyra esclarece que o envolvimento dos amigos é muito importante em situações delicadas como essa. “O bom amigo é aquele que se interessa pelo o que você tem e te aceita como é”, ressalta. Dar bons conselhos, ter conhecimento dos cuidados necessários e estar atentos aos sinais de possíveis quedas ou altas glicêmicas são atitudes que devem ser incentivadas no círculo de amizade.

Kátya Niglo, 29 anos, estudante de enfermagem, afirma que seus amigos sempre se interessaram em aprender um pouco mais sobre o assunto, mas que na hora da diversão é ela quem cuida deles. “Eles se preocupam comigo, é claro, mas como não bebo e sempre estou sóbria, sou eu quem tomo conta da galera”, diz Kátya. Essa relação de mão-dupla, um tomando conta do outro, é o lado bacana numa amizade.

Além da ajuda dos colegas, quem tem diabetes, deve contar também com um kit socorro, com os seguintes itens básicos:

  • medidor de glicemia – para checar a taxa de glicose no sangue e, aí sim, saber o quanto se pode comer;
  • açucaradas (para casos de hipoglicemia);
  • identificação, que pode ser uma carteirinha, um colar com pingente ou até uma pulseirinha, dizendo que tem diabetes. O ideal é a pessoa portar também um cartão contendo o nome da medicação que toma e o telefone de contato de algum parente ou responsável, caso tenha uma hipoglicemia mais séria.

Esse tipo de documento também serve para evitar alguns apuros, como o que aconteceu com Kátya. “Uma vez precisei aplicar insulina e fui até o banheiro da boate. Uma faxineira entrou no momento em que estava me medicando, na hora em que ela viu eu me aplicar a injeção saiu correndo e gritando para o segurança que eu estava usando drogas”. A sorte da estudante era que ela estava com a carteirinha que informava ser portadora de diabetes. Mas mesmo assim, segundo ela, demorou até conseguirem entender que não se tratava de entorpecentes. Cenas como essa, infelizmente, podem acontecer. Por isso, a prevenção é sempre o melhor caminho para garantir a diversão.