Perigosas e silenciosas. Assim podemos classificar essas duas doenças bastante comuns na população brasileira: a hipertensão arterial (HA) e o diabetes tipo 2. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 10% da população no mundo, ou seja, 600 milhões de pessoas são hipertensas, enquanto 370 milhões (quase o dobro da nação brasileira) são portadoras de diabetes. De acordo com especialistas, no Brasil, ambas as doenças são a maior causa de internação hospitalar.

Apesar de haver uma correlação de sintomas e cuidados entre as doenças, não há uma relação direta de causa-efeito entre elas. As similaridades começam por serem classificadas como doenças crônicas, muitas vezes assintomáticas (sem indícios claros), e com complicações muito semelhantes. “A ligação entre ambas disfunções é bem estreita, sendo uma fator de risco para a outra”, pontua Denise Ludovico, endocrinopediatra e voluntária da ADJ Diabetes Brasil. Entretanto, isso não quer dizer que quem tem hipertensão necessariamente desenvolverá diabetes, ou vice-versa. Contudo, quando se trata de fatores de risco, as listas divergem um pouco.

A hipertensão arterial, geralmente, não tem apenas uma causa que desencadeia a doença, mas uma série de razões tipicamente não evitáveis. São elas a hereditariedade, a idade (mais comum em pessoas acima dos 40 anos), o sexo (aflige com maior frequência os homens) e a etnia (negros tem mais propensão em desenvolver o mal). Já a DM2 afeta principalmente os adultos acima dos 40, os obesos, os sedentários e quem tem parentes de primeiro grau portador da disfunção. Com relação aos motivos que dependem do estilo de vida de cada um, isto é, que podem ser evitados, há hábitos que propiciam o aparecimento de ambos os males.

As causas mais comuns do surgimento dessas patologias são: o sedentarismo (falta de exercícios regulares), a obesidade, o tabagismo e a má alimentação. Quando não tratadas, essas enfermidades podem causar complicações como aterosclerose (entupimento de vasos sanguíneos), doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC ou AVE), doença arterial periférica (que afeta extremidades do corpo como pés e mãos), além das complicações típicas do diabetes, como: a nefropatia (danos no rim) e a retinopatia e (lesões na retina ocular). Por isso, consultar um médico e fazer um check-up com regularidade é fundamental.

A cardiologista Rica Buchler, coordenadora de cardiologia do SalomãoZoppi Diagnósticos, alerta para o fato de que como a hipertensão é uma doença silenciosa deve-se tomar muito cuidado. Não raro ela só é descoberta quando o paciente já está numa situação bem complicada, tendo um infarto, por exemplo. “O exame de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (M.A.P.A.), que mede a pressão arterial a cada 20 minutos durante 24 horas, é o único que vai diagnosticar se a pessoa é hipertensa ou não. Pois o método obtém o registro das medições da madrugada, quando o corpo está mais relaxado e as taxas devem permanecer baixas”, explica a médica.

Quando confirmada as disfunções, o tratamento constitui em adotar hábitos de vida saudáveis como: praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada com baixo teor de sódio, perder peso, não fumar e evitar bebidas alcoólicas em excesso. Mesmo assim, algumas pessoas também terão que tomar medicações para manter as taxas de glicose e da pressão sob controle, o que é normal quando se trata de doenças crônicas.

“Uma vez tratada e com a terapia certa tanto o hipertenso quanto o diabético, ou quem tem os dois, pode levar uma vida normal, sem nenhuma restrição. Basta se cuidar”, conclui.